Uma nova tatuagem feita por Malfeitona

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Helen era uma jovem engenheira mecânica e fazia mestrado na área quando adentrou ao universo das tatuagens. Em entrevista ao Brechando, a baiana natural de Salvador contou que sempre fez desenhos engraçados para os amigos e aos poucos foi aderindo a carreira de tatuadora. A primeira “cobaia” foi o ex-namorado (hoje, super amigo. Aprendam ser amigos dos exs, viu, meninos e meninas?) e depois foram os mais chegados. Até que criou o insta Malfeitona, que tem mais de 100 mil seguidores e coleciona diversas tatuagens cuja estética é engraçada e não necessariamente precisa ser bonita e bem feita (por isso o nome, não é, Clayson?).

Não é a primeira vez que falo de tatuagem, eu registrei como foi a minha primeira e também fiz um pedido desculpa à minha mãe quando fiz a terceira. Agora estou na sexta!

Além disso, a página é cheia de bom humor e conta como a Helen deixa seu look colorido e bastante chamativo, mesmo que as suas raizes sejam de roqueira das caveiras pretas. Por causa do seu jeito peculiar, a Malfeitona também virou digital influencer, sendo chamada para vários lugares para mostrar seu brilho e a sua presença, além de ter parceria com algumas empresas e tem uma loja própria de camisetas com seus desenhos.  E ainda tem tempo de estudar seu mestrado em Comunicação.

Mas, a carreira poderia ter tido um fim por conta de uma matéria postada na internet. “Eles distorceram as informações, algumas pessoas me criticaram bastante. Por causa disso, fiquei uns meses sem tatuar. Mas, ao mesmo tempo, as pessoas começaram a curtir e seguir, pedindo para fazer e isso me estimulou”, disse a Malfeitona, que virou seu nome de guerra. “Meus amigos me chamam de Helen, mas alguns só de onda começaram a chamar de Malfeitona. Sabe quando a gente fala “Top” só de zoeira e no final começamos a dizer sem querer? Foi assim que aconteceu”.

Algumas tatuagens engraçadinhas podem ser vistas por aqui:

 

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Foi nessa loucura de ser roqueira com toques coloridos que me chamou atenção. Graças ao Youtuber Hawk e o meu vício em o assistir, eu conheci o universo da Malfeitona e sempre via os stories do início ao fim (mesmo gastando todo pacote do 3G), além de adorar as tatuagens dela e então dizia: “Um dia farei uma tatuagem com essa mulher”. Então, eu esperei o tempo e a vida que me carregasse até que um dia descobri que Francisco, El Hombre estaria confirmado no line-up do Dosol, pois o integrante Sebastián Piracés-Ugarte é o namorado da tatuadora.  Então, eu pensei: “Fazer uma campanha para a Malfeitona vir para Natal”.  Enchi o saco nos stories comentando: “Please come to Natal”. Até cheguei a pensar em fazer uma versão “We Are The World”, mas tive medo de assustar a pessoa.

Porém, relaxei e pensei: “Calma, mulher, eles são namorados e não nasceram grudados”. Até que vi um story, às 3 da manhã, dizendo que ela iria tatuar em Natal e só tinha duas vagas. Não esperei o dia amanhecer e tasquei o e-mail, sem nenhuma esperança, alegria e amor, porque parecia um vestibular de medicina para tatuados. Até que consegui marcar esse encontro dos deuses. Estava na UFRN quando vi o e-mail bem anos 90 (Imagina eu gritando feito uma louca no setor 2) e após uma deliciosa troca de mensagens, marcamos o encontro.

Mas, de onde surgiu a ideia de fazer a tatuagem de unicórnio? Bem, meu insta pessoal é Unicórnio Ariano. Tudo começou há uns três anos quando minha irmã tirava sarro com meu gosto eclético por música, visto que podia escutar de Dimmur Borgir (uma banda de Black Metal) e trocar do nada por Britney Spears, além de amar Rupaul’s Drag Race. Aí ela solta a frase: “Eu imagino a Lara como uma Lady Gaga Drag Queen montada em um unicórnio”. Depois, ela começou a dizer que eu parecia um unicórnio.

Meses depois, eu participei do projeto “Ser de Luana” e contei a história para a artista Luana Cavalcanti. O projeto consiste em pintar as mulheres e mostrar a beleza natural delas. O que aconteceu? Ela resolveu pintar um unicórnio em mim.  Para quem não lembra da foto, eu vou postar por aqui:

 

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No e-mail, eu expliquei que queria um unicórnio bem engraçado que só ela sabe fazer, mas com um pequeno detalhe: o símbolo de áries no corpo dele. Afinal, ele é o unicórnio ariano. Então, trocamos ideias malucas e marcamos o encontro no Casarão de Aya, no bairro de Neópolis.

Quando disse que ia fazer uma tatuagem com Helen, uma fila de gente queria acompanhar e a frase mais comum: “PELO AMOR DE DEUS PRECISO CONHECÊ-LA, ME LEVA”. Mas quem acompanhou foi minha amiga e artista Ana Clara Monteiro, que também pretende ser tatuadora no futuro e queria trocar figurinhas para saber o universo da tatuagem, visto que nem Clara e Helen querem seguir a onda dos outros, querem ter um estilo próprio. Adorava ver o diálogo das duas, principalmente perguntando por influências e artistas favoritos.

Então, chegou o dia, a Malfeitona é a simpatia pessoa, chega logo me deu um abraço bem apertado, mesmo morta de cansada de ter feito uma viagem muito louca para chegar em Natal, que até hoje esqueci o trajeto, mas foi longo mesmo.

Após conversar sobre o Léo Santana e como é uma figura histórica, porque ele vai tocar em Natal duas vezes (Carnatal e Festa de Fim de Ano) no mesmo mês, a tatuadora comentou: “Você sabe que no show dele tem uma vinheta bem engraçada que é uma pessoa sussurando, bem banda de Forró mesmo”. Foi aí que ela me convenceu a ir na festa de 19 de dezembro do Natal em Natal. Chega de digressão e hora da tatuagem. Finalmente, eu vi o desenho fora do Whatsapp e me apaixonei na hora.

“Quer alguma modificação?”, perguntou.

“Tá lindo demais, eu confio em você”, falei.

Inicialmente, eu queria na perna direita, mas depois mudei para esquerda, porque ambas concordaram que na perna esquerda o desenho fica melhor (Dessa vez não foi por motivos políticos). Olha eu no momento que passou o decalque.

Hora de ir para caminha da tatuagem, fiquei sentada e rapidamente Malfeitona colocou seu avental e máscara de Hello Kitty mais as luvas rosas, mostrando que todo roqueiro tem o seu lado cor de rosa. Por um momento lembrei que esqueci de passar a pomada de xilocaína. Mas, pensei: “Sou grandinha e vou conseguir”.

Aí ela comentou: “Fique tranquila, minha mão é leve”. Ficamos comentando sobre os mais diversos assuntos possíveis, desde a política atual, bandas de forró (ex: Calcinha Preta), tentei ensinar rapidamente gírias natalenses, discutimos o que iria tocar no Festival Dosol, histórias das nossas vidas e dentre outros assuntos. E realmente a mão dela é bem leve, não doeu quase nada. Ainda perguntei se era a primeira vez em Natal, ela respondeu:

“Já participei de um congresso aqui, quando era estudante de Mecânica. Andei de buggy, conheci as praias e tudo isso acompanhado da minha orientadora, de 70 anos, que é a única mulher do Departamento de Mecânica do IFBA e tem uma história muito massa para ser compartilhada”, relatou.

A medida que a tatuagem estava rolando, ela sempre perguntava:

“Posso colocar essas bolinhas?”

“Posso deixar o chifre mais colorido?”

Sempre no atendimento mais humanizado possível, além de pedir que o cliente ajude no processo de criação. Afinal, a tatuagem é uma criação coletiva.  Após uma hora e meia de tatuagem, o unicórnio ficou pronto. E solta a seguinte pergunta: “Ele precisa de um nome, qual que você vai dar?”. Em homenagem ao homem que mais falamos durante a sessão, prontamente respondi: “Léo Santana”.

Querem ver como ficou o unicórnio? Veja a seguir: