Sabia que a Pinacoteca está grafitada por dentro?

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Os grafites estão dentro de algumas salas da Pinacoteca do Estado, no bairro de Cidade Alta. A ação faz parte da mais nova edição do INarteurbana, cujo lançamento aconteceu na noite desta quinta-feira (25) e demos uma boa brechada por lá.

*Atualizado às 8h03, 27/8/16

“É uma forma de ocupar e complementar o prédio, que é neoclássico, com a arte contemporânea do graffiti. Além de ser uma oportunidade ao artista de dialogar com o museu, algo que não é tão comum em se fazer”, disse Agathae Montecinos, coordenadora geral do evento.

Os grafiteiros participantes do projeto são Darlan Stomp, Digone, Félix, Hugh, Lennonlie, Patavina, Pazciência, Pedro Ninja, Tô Liga e Vitor Zanini, que foram selecionados a partir de uma convocatória.

Stomp, que começou em 2008, era um dos participantes mais empolgados, visto que já chegou a parar de grafitar por dois anos “por falta de incentivo”. “Agora não quero mais parar, pois agora está tendo uma participação massa da galera no graffiti aqui em Natal”, contou.

Assim como os outros integrantes do Inarte, eles começaram a pintar as paredes do prédio, construído no século XVIII, na segunda-feira e demorou três dias para ficar pronto. Durante esse tempo, eles tiveram de ter cuidado para não depredar o patrimônio histórico e conseguir obter o desenho da forma desejada.  “Tive bastante dificuldade para pintar as paredes da Pinacoteca por conta da altura”, comentou o artista.

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Stomp começou no graffiti em 2008 (Fotos: Lara Paiva)

Não tinha apenas artistas potiguares participando do projeto, também veio gente de outros estados. Pedro Ninja, por exemplo, veio de BH para divulgar o seu trabalho, que tem uma influência dos mangás e animes japoneses.

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Desenho de Pedro Ninja (Fotos: Lara Paiva)

“Me amarrava demais nos desenhos japoneses, hoje não assisto muito. Adorava desenhar o Goku, personagem de Dragon Ball, no qual eu fazia de todos os jeitos, até em versão feminina”, comentou Pedro Ninja, que veio a Natal pela segunda vez, sendo que agora para trabalho. “No ano passado, eu deixei apenas um desenho no bairro de Petrópolis”.

Digone, por sua vez, veio do Rio de Janeiro e achou uma ideia bacana de expor o seu trabalho em um museu. “Para mim foi uma coisa experiência totalmente diferente, foi um desafio para mim, que consegui superar e o resultado ficou bom”, afirmou.

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Digone, do RJ para as paredes da Pinacoteca

Além disso, seis artistas foram convidados para expor, como: Arthur Doome, Geovane Almeida, Arbus, Pok, Mademoiselle Maurice (FR), Bruno Otávio, Vidal e Marcelo Borges.

Os potiguares Arbus e Pok participaram da primeira edição do evento, que aconteceu no ano passado. Ambos estão felizes com o crescimento do Inarteurbana e espera que as pessoas realmente compreendam a importância da arte urbana.

“Acho que a galera está realmente vendo a valorização da arte do graffiti, pois agora está nos museus. Mas isso não quer dizer que devemos esquecer aquelas artes que estão expostas nas ruas. Temos de olhar, primeiro, o que está na rua, pois estimulou que este movimento chegasse nos museus. O Inarte está quebrando paradigmas, principalmente pelo fato de estar decorando um prédio histórico com o graffitti”, disse o Pok.

Tanto Pok quanto Arbus vão à Paris neste ano para expor os seus trabalhos com o graffiti, que chamaram bastante atenção na primeira edição do Inarte. Os dois artistas procuraram o site de financiamento coletivo para conseguir arrecadar dinheiro para acompanhar a exposição. Arbus já conseguiu o passaporte e agora tem que correr atrás de outras coisas.

“Consegui vender alguns quadros para conseguir pagar a passagem. Estou muito nervoso e ansioso. Quero que dê certo”, afirmou o Arbus.

Além de potiguares e outros brasileiros, existem artistas internacionais participando, como Mademoiselle Maurice e Snez. A primeira citada é uma artista de Paris que faz arte com origamis, arte japonesa que utiliza dobraduras de papel para fazer qualquer coisa.  Maurice faz muito mais do que dobrar os papéis, ela os coloca em vários muros, formando um verdadeiro mural de origamis.

Quer dizer, os origamis são pequenas peças de um grande desenho, sempre de forma colorida. Sua técnica já foi vista por suecos, gregos, americanos e dentre outras nacionalidades. Já trabalhou junto com o Greenpeace numa campanha para lutar contra a extinção de baleais com chifre longo, que vivem no Ártico e estão em perigo de extinção.

Em entrevista ao blog, ela disse que começou a fazer isso durante a sua temporada no Japão e depois não parou mais. Ao ser questionada se já teve algum trabalho que ficou mais complicado em fazer, ela prontamente respondeu que todos têm os seus graus de dificuldades. “Fazer origami já é difícil por si só, mas quando você faz com amor, dedicação e paixão, sempre vai dar certo”.

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Os origamis de Maurice, que ainda crescerão na Pinacoteca. Pintura é feita por ela, Arthur Doomer e Snez

O Inarte quer mostrar que a arte urbana é uma expressão popular. Dentre as atividades promovidas estão a exposição, batalha de graffiti, oficina, mostra de filmes, criação e construção de espaços de convívio para as crianças e suas famílias e ações artísticas com artistas locais, nacionais e da gringa.

Alguns grafiteiros também exibem obras além das paredes, como quadros, cartões e outros lugares que podem ter acesso à arte.

A exposição na Pinacoteca do Estado já aconteceu no passado, fazendo com que o palácio se tornasse o primeiro prédio histórico do Rio Grande do Norte que recebeu a arte do graffiti. Durante três dias (25, 26 e 27 de agosto) a Pinacoteca Potiguar vai acolher batalhas e feira de graffiti, shows de rap e hip-hop, performances e dança de rua. As batalhas já começaram nesta quinta. Já a exposição ficará lá no prédio histórico até o dia 30 de setembro.

Além da exposição, o Passo da Pátria será terreno de oficinas, encontros sobre reciclagem e (re)apropriação do espaço público e intervenções artísticas, a artista francesa Mademoiselle Maurice construirá uma escultura participativa com material de recuperação. Também haverão aulas sobre pintura de spray e iniciação ao graffiti.

O objetivo principal do projeto, criado em 2015, é desenvolver um diálogo entre a arte urbana, população e a cidade. As atividades acontecerão em Natal, Créteil (comuna localizada na França) e Areia Branca.

Corra, que ainda dá tempo de visitar, veja a agenda para esta sexta-feira (26) e fim de semana:

26/08 > Alquimia
Esquadrão RN (Dança de rua)
27/08 > Carcará na Viagem
Esquadrão RN (Dança de rua)

Confira o álbum de fotos a seguir:

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Sobre Lara Paiva
Oi, eu sou o Goku. Mentira, meu nome é Lara. Sou jornalista formada pela UFRN, natural de Natal. Sempre fui de humanas. Tem um blog para expor as suas curiosidades e anseios desta vida e mostrar os diferentes lados da vida urbana.

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