História dos natalenses que quiseram navegar ao Rio de remo

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A década era 1930 e cinco remadores tiveram a brilhante ideia de fazer um raid a remo, no qual eles percorreriam 1700 milhas em um barco. No entanto, eles passaram 15 anos aguardando a permissão para adentrar na aventura. Assim, conto mais uma curiosidade dos natalenses aventureiros, no qual o mais novo tinha 39 anos quando remou para uma grande aventura.

Os aventureiros são Ricardo da Cruz, veterano do remo natalense, idealizou inicialmente fazer o trecho Natal-Recife em uma iole e partiu com sua equipe de remadores formada por Antônio de Souza Duarte (voga), Aldo Costa Dantas e Jeremias Pinheiro Filho.

Em Recife, no entanto, a viagem durou dois dias, pois o almirante Aristides dos Guilhen, Ministro
da Marinha vetou a empreitada. O argumento era que o risco seria enorme, além da idade avançada, uma vez que Ricardo da Cruz tinha mais de 40 anos.

Ainda mais o ministro chegou até a advertir os cinco desportistas de que os mandaria prender no primeiro porto.

Vale lembrar, no entanto, que na década de 30 uma pessoa com mais de 40 anos era uma pessoa idosa.

O que aconteceu depois?

Vocês pensam que os remadores desistiram desta empreitada? Achou errado, otário (INGÁ, Rogérinho do)! Em 1952, eles tentaram de novo fazer esta aventura. Agora, sexagenários. Agora, os integrantes eram Ricardo da Cruz, Clodoaldo Backer, Antônio de Souza Duarte e Paulo Madureira.

A saída aconteceu no dia 30 de março, no qual saíram com a embarcação no Centro Naútico Potengi, na Rua Chile e o prefeito de Natal entregou uma mensagem que os remadores deveriam levar ao prefeito do Rio de Janeiro.

O Diário de Natal noticiou sobre o Raid

Ao passarem em frente ao Cais do Porto, dezenas de esportistas e familiares aflitos aplaudiram os corajosos remadores, que conduziam a imagem de Nossa Senhora da Apresentação, a Santa padroeira de Natal. Barcos, canoas e jangadas acompanharam a saída dos aventureiros a partir do Cais da Avenida Tavares de Lira.

Infelizmente, a aventura do Raid não deu certo. Mas, eles não desistiram!

Após 62 dias de dificuldades no mar, muita chuva e frio, a embarcação enfrentou ondas gigantescas e foi completamente destruída próximo a Mangue Seco em Sergipe. Os remadores perderam a imagem da Santa padroeira. Mas, conseguiram escapar com vida.

Você pensa que esses aventureiros desistiram? Claro que não! Construíram uma nova embarcação que partiria de Sergipe até o Rio de Janeiro. A embarcação recebeu o nome de “Rio Grande do Norte II” e viajou a Aracaju no Navio Caça Minas e daí até o local do desastre, onde em 05/02/1953 partiu para o Rio de Janeiro escoltada na saída por inúmeras embarcações.

No entanto, Clodoaldo e Madureira foram substituídos, uma vez que ficaram doentes e outros integrantes do Clube Naútico resolveram fazer a aventura.

Pelo amor de Deus, desta vez o Raid deu certo?

Finalmente a embarcação conseguiu chegar ao Rio de Janeiro e a façanha. Além disso, foi registrada pela Rádio BBC de Londres. O Presidente Café Filho recebeu os heróis potiguares no Palácio do Catete, no Rio de Janeiro, com toda honra e o feito estimulou uma nova geração de remadores.

Olha, portanto, a foto dos remadores com Café Filho a seguir.

Os remadores juntamente com Café Filho após o sucesso da aventura