Verticalização de Natal é fruto de documentário

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O prefeito de Natal, Álvaro Dias, criticou a orla da capital potiguar no ano passado. O Chefe do Município disse que a parte da praia poderia ter prédios, como Recife e Fortaleza, alegando que isso traria mais dinheiro para cidade. Ambientalistas, no entanto, criticam os impactos ambientais que culminaram na falta de ventilação de alguns lugares, visto que os prédios impedem a entrada da brisa na cidade, além de causar impactos na paisagem da cidade, afetando não só a vida dos moradores da cidade, mas também da fauna e da flora.

O novo Plano Diretor atualmente está sendo revisado e pode permitir o retorno de arranha-céus. Um dos sinais foi a derrubada do Hotel Reis Magos, entregue para construção de um prédio. Por isso, o tema especulação imobiliária e verticalização virou um filme dos alunos de Audiovisual da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), sob a coordenação do professor Ruy Rocha.

Sobre o documentário

O nome é “Tire as Construções da Minha Praia”, uma alusão à música “Lucro” do Baianasystem, que crítica a verticalização das orlas do Nordeste. O documentário pode ser visto online e de forma gratuita a partir desta quinta-feira (2), a partir das 16h30, onde haverá o pré-lançamento através do Google Meet.

Durante a transmissão, o público ainda vai bater um papo com os seus realizadores e com a professora Ruth Ataíde, coordenadora do Fórum Direito à Cidade.

“Faz uma reflexão sobre como as mudanças favorecem a verticalização da orla da cidade. Isso beneficia a especulação imobiliária com construções residenciais voltadas para uma pequena parcela da sociedade. Consequentemente, as pessoas que residem em comunidades localizadas nas áreas em questão,com mais de 50 anos de vivência, seriam retiradas de suas moradias”, disse o professor Ruy Rocha, que também apresenta o programa Contra-Fluxo na Rádio Universitária. Ainda é coordenador da Especialização em Documentário.

Partindo da premissa, o doc de 23 minutos portanto faz uma crítica contundente a respeito dos interesses de classe, que impedem que os mais pobres consigam fazer valer o direito à moradia.

Serviço

O quê? Pré-lançamento do filme Tire as Construções da Minha Praia
Quando? Quinta-feira, 2 de julho, às 16h30
Onde? Através do link: https://meet.google.com/nao-ksqx-uyb

Como funciona o Plano Diretor de Natal

Primeiramente, o Plano Diretor já é garantido por lei através da Constituição Federal e Estatuto da Cidade. É um instrumento para dirigir o desenvolvimento da cidade através de seus aspectos econômicos, físico e social. O objetivo é fornecer às pessoas moradia, trabalho, saúde, educação, cultura e lazer. Mas, o espaço da cidade é parcelado, sendo objeto de apropriação, tanto privada (terrenos e edificações) como estatal (ruas, praças, equipamentos etc).

Por isso, um planejamento adequado e racional é necessário para propiciar desenvolvimento econômico e social. E é partir daí que surgem os planos urbanísticos. O Plano de Diretor Municipal consiste em uma lei municipal para impor obrigações aos proprietários de solo urbano não edificado, subutilizado ou não utilizado.

A intenção é que o planejamento urbano seja revisto a cada 10 anos, no qual consiste na criação e desenvolvimento de programas e serviços que visam a melhorar a qualidade de vida da população de áreas urbanas, como já dizia Chico Science: “A Cidade Não Para, a Cidade Só Cresce”.

No dia 19 de setembro, o prefeito de Natal disse que o problemas de Natal estão concentrados no Plano Diretor que, na visão dele, é “retrógrado, ultrapassado e que contribui para um atraso imposto”. Aos vereadores, por fim, Dias afirmou que Natal perdeu 300 mil pessoas para cidades vizinhas nos últimos anos.