Veja como ficou cabaré Arpege após chuva de madrugada

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Nas primeiras horas da manhã deste domingo (21) foi um momento triste para quem gosta dos prédios antigos de Natal, uma vez que as chuvas derrubaram de vez a parte superior de onde funcionara o Arpege, cabaré tão popular quanto o de Maria Boa.

Chovia às 04h40 da manhã quando o resto do pavimento superior do prédio, que já estava parcialmente destruído, desmoronou de uma vez.

As câmeras de segurança próximo do prédio registrou o momento que houve a demolição:

O prédio antes estava assim:

Agora está assim:

Fonte: Fatos e fotos de Natal Antiga

A jornalista Cinthia Lopes postou em seu Instagram o resultado de como ficou o antigo cabaré. Veja:

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Foi ao chão mais uma parte do prédio de 80 anos localizado na rua Chile, Ribeira. O imóvel de três andares foi construído por uma família de alemães nos anos 40, depois funcionou a Tipografia Galhardo, mas ficou famoso por abrigar a boate Arpege, o cabaré de cortinas de veludo vermelhas e radiolas de ficha que funcionou até a década de 1990. O prédio de traços arquitetônicos bonitos é um entre os mais de 500 que fazem parte do polígono de tombamento realizado em 2010 pelo IPHAN nacional. No meio de uma pandemia e tantos acontecimentos urgentes, a notícia de um prédio antigo particular que ruiu é até desimportante, como disse alguém no Twitter. Pode ser, mas o monte de metralha no chão ressalta também o retrato do fracasso. Das leis que não atendem à finalidade. Muitos anos se passaram desde a primeira vez que alguém falou em “revitalização da Ribeira”. Oportunidades foram deixadas de lado. O tal legado da Copa virou papel de algum projeto rabiscado para o PAC das Cidades Históricas. Lembro das matérias que falavam: ‘dinheiro tem, faltam projetos’. Quando eu ainda andava pela Ribeira, ouvi de um turista perdido na porta da TN espantado com a quantidade de prédios em ruínas. “Parece que houve uma guerra!” Pois…

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História do Arpege

Argepe existiu até a década de 1990, ficava na Rua Chile, após o cruzamento com a Tavares de Lira, na esquina com a Travessa Venezuela  Construído no século XX por um família de alemães, tendo inicialmente funcionando como um “Secos e Molhados”.

Em 1941, o empresário Nestor Galhardo adquire parte da edificação, tendo o intuito de instalar sua própria gráfica, ocupando apenas o pavimento térreo, o que restou do prédio após a chuva deste domingo (21).

Galhardo decidiu abrir, portanto, um cabaré no pavimento superior, que seria administrado primeiramente por sua amante e entrada era feita através da Travessa Venezuela, próximo ao Cova da Onça.  

Após a morte de Nelson Galhardo, seu neto tenta manter os negócios

Após a morte do seu proprietário, o  seu neto, que também se chama Nelson Galhardo, assume a administração dos negócios. Durante algum tempo, a gráfica permaneceu em atividade, porém fechou as portas. O local serviu como cenário aos filmes “For All- Trampolim da Vitória” e “O Homem que Desafiou o Diabo”.

Cabaré Arpege quando ainda estava inteiro Cabaré Arpege quando ainda estava inteiro (Foto: Zé Paulo Cardeal)

O início da demolição

No ano de 2005, o imóvel é adquirido pela empresária carioca Paula Homburger, acreditando na revitalização da Ribeira. A intenção era construir um restaurante no local, entretanto a ideia não deu certo por diversas razões.

Três anos depois, parte da estrutura do cabaré da Arpege é destruída com as fortes chuvas, chegando a ser interditado pelo Corpo de Bombeiros do Rio Grande do Norte . No ano de 2010, o prédio foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).