Pois é…tomei a famosa Ivermectina

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Tudo começou quando o ministro da Ciências e astronauta Marcos Pontes disse que sua equipe estava fazendo uma pesquisa sobre um remédio para curar a Covid-19. O remédio em questão é a nitazoxanida, hoje acessível nas farmácias com o nome Annita. Porém, o marketing com os vermicidas está fazendo gente tomar todo tipo de remédio com medo de pegar Coronavírus. A moda do momento é tomar Ivermectina, o desespero está tão grande, que as farmácias estão sem estoque.

Prefeitura dando Ivermectina

A cereja do bolo foi quando o prefeito de Natal, Álvaro Dias, como uma forma de atrair votos para eleições desse ano, aquela demagogia básica, anunciou este belo tweet:

O desespero pela Ivermectina me lembrou nos tempos que me tratava com homeopatia para curar as minhas ansiedades, que só ajudou por um tempo, depois todos os sintomas voltaram para pior.

Por que esse desespero todo?

O fato é…Todos estamos com medo de pegar o coronavírus, mesmo aqueles que estão furando a quarentena, uma vez que na hora da dor, ninguém quer morrer. Meus familiares adoram uma terapia alternativa, fogem do hospital como o diabo foge da cruz e só procuram a ajuda médica nos últimos casos. A Ivermectina veio nos meus familiares quando um tio pegou coronavírus e contaminou a sua esposa, sendo que ela tomou o remédio e ele não.

Eles não tomaram a cloroquina, porque o casal tinha medo dos problemas cardíacos como efeitos colaterais.

O resultado? Ele foi para o hospital. Rapidamente, o grupo de Whatsapp começou a falar dessa experiência e alguns procuraram a farmácia para achar o remédio, visto que os médicos diziam que era um preventivo e ajudaria a criar anticorpos para combater um novo vírus que começou a circular no mundo há mais de seis meses.

Meus pais se empolgaram e eu cortando o barato: “Gente, não vai na onda”. Mas, sempre tem alguém que dizia: “Se não melhorar do Corona, se livra dos vermes”.  Eu entro na história quando meus padrinhos (não é o mesmo casal infectado citado acima) que moram com minha avó pegaram o famoso Covid-19.  Na casa de vovó Áurea, somente ela e a Maria das Dores, empregada contratada para cuidar da casa, não foram contaminadas. Por isso, meus primos e tios/padrinhos foram para os fundos da casa em um isolamento total de 14 dias, uma história que contarei mais a frente.

Como meus tios pegaram? Quem deu o remédio?

Minha tia Ana Cláudia é enfermeira e meu tio Luiz Antônio é vendedor, ambos estavam trabalhando e não podem fazer o isolamento social. O primeiro a apresentar os sintomas foi o meu tio, no qual o pessoal da casa achava inicialmente que era uma crise alérgica, nada demais. A preocupação só surgiu quando a minha tia começou a apresentar os sintomas clássicos da Covid-19 e os filhos do casal apresentarem sintomas mais leve da doença. Então, rapidamente minha tia foi ao hospital onde trabalhava, no qual foi feito um teste e o médico receitou a Ivermectina.

“O médico disse que não iria curar, mas que é para ser usado como medida de profilaxia, proteção, porque eles produzem anticorpos”, comentou a minha tia durante uma videoconferência.

No mesmo bate-papo, ela falou que comprou a Ivermectina e sobrou vários comprimidos, no qual rapidamente eu e minha irmã pegamos na calçada da casa, parecia que a gente ia para Chernobyl.

O remédio, distribuído em um saco de alumínio,  dizia o seguinte:

  • Se tiver acima de 60 kg, tomar 4 comprimidos, sendo que dois na primeira semana e o restante depois dos sete dias
Foi distribuído assim o medicamento

Os remédios eram cápsulas pequenas, fáceis de engolir e rapidamente você toma. O efeito colateral chega no dia seguinte.

Caganeira é um efeito colateral

Estava estranhando que acordei com uma coceira infernal em algumas partes do meu corpo, principalmente na região dos braços, e rapidamente corri para o banheiro, a diarreia tinha chegado com tudo. “Eu comi queijo de coalho demais”, pensava.  Mas, eu continuei as minhas atividades e esqueci de que tinha tomado a Ivermectina. Mas, meus pais foram falar de que estavam toda hora indo ao banheiro. A única que não sentiu nada foi minha irmã, que não tomou os remédios.

Minha vida de defecar em excesso, a famosa caganeira, durou em torno de dois dias. Foi aí que vi o poder da limpeza intestinal. A última vez que isso aconteceu comigo foi quando tomei um pote de iogurte Activia.

Na segunda semana que tomei foi o contrário, meu intestino ficou preso até demais, minha barriga estava até mais inchada. Ao fazer este relato, eu descobri que constipação também faz parte do efeito colateral.

Os meus tios com Covid-19 também relataram de efeitos similares aos relatados nesta postagem.

Se eu me senti mais forte com isso? Não! Estamos em junho e indo para julho, neste período eu tenho muita crise alérgica por conta do tempo ou fico gripada. Fiquei com uma sinusite leve no fim de semana chuvoso, que é normal nese período. Se tivesse mais anticorpos, como foi prometido, não apresentaria nada. Essa é a minha opinião.

Já o os meus padrinhos tiveram sintomas leves da doença, mas não se sabe se isso resultou porque tomaram a Ivermectina ou por cumprir o isolamento social de 14 dias.

Mas, como diz mainha: “Pelo menos não vamos ter mais lombrigas”.

Efeitos colaterais da Ivermectina

Assim, no período de tratamento com Ivermectina é possível que o paciente enfrente alguns efeitos colaterais como:

  • Náusea,
  • Diarreia,
  • Dor abdominal,
  • Falta de disposição,
  • Falta de apetite,
  • Constipação;
  • Vômitos.

Há chances de ser um efeito placebo? Claro!

Quando acreditamos que um remédio sem comprovação médica é milagroso, os cientistas chamam isso de Placebo. Geralmente está lidado ao fármaco, terapia ou procedimento inerte, que apresenta, no entanto, efeitos terapêuticos devido aos efeitos psicológicos da crença do paciente de que ele está a ser tratado.

Muitos médicos também podem atribuir efeito placebo a medicamentos com princípios ativos, mas que apresentam efeitos terapêuticos diferentes do esperado. Por exemplo, um comprimido de vitamina C pode acabar com a gripe. Uma aspirina pode acabar com dor de cabeça, sendo um exemplo clássico de que o que melhora é não apenas o conteúdo do que ingerimos mas também o acreditar que estamos a ser tratados.

Ou acreditamos que aquelas bolinhas de homeopatia podem ser a cura de nossos males.

Nem sempre o placebo é sinônimo de charlatanismo, pode ser utilizado em terapias diversas e em pesquisas científicas, principalmente quando estão desenvolvendo novos fármacos.

Pesquisadores da UFRN falam sobre a dose certa, que não existe

O Núcleo de Estudos de Pesquisas em Urgência, Emergência e Terapia Intensiva, órgão da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), publicou em sua rede social os estudos que a instituição fez sobre o remédio. De fato existem estudos como efeito antiviral, mas os estudos são observados em In Vitro. Ou seja, apenas em laboratório e não foi testado em humanos.

Dentre esses estudos foi comprovado que para combater o vírus, a dosagem do remédio seria 88 vezes maior que a dosagem permitida hoje. Além disso, 98% do medicamento sai pelas fezes. Ou seja, o efeito é placebo. Veja a postagem a seguir:

 

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Uma publicação compartilhada por NEPET UFRN (@nepet_ufrn) em

 

O que acaba com um vírus?

Algumas doenças virais não possuem algo que destrua o vírus em si, sendo que a maioria dos médicos fornecem medicamentos para amenizar os sintomas. Entretanto, os medicamentos que fazem para destruir os virais são chamados de antiviral.  Como os antibióticos para as bactérias, antivirais específicos são usados para vírus específicos. Podem também distinguir-se de viricidas, que desativam partículas do vírus fora do corpo. Atuam em eventos específicos da replicação viral, inibição da síntese de ácidos nucléicos ou proteínas do vírus, dado que utilizam a maquinaria celular para sua reprodução.

A maioria dos antivirais disponíveis atualmente são para lidar com o HIV, vírus da herpes, hepatite B e C e influenza A e B, mas cientistas querem estender o alcance dos antivirais para outras famílias de patógenos. Dentre os mecanismos para o tratamento de infecções virais temos o Bloqueio da ligação do vírus, Inibição da síntese de DNA/RNA, Inibição da síntese proteíca e dentre outras atividades.

Quando a Ivermectina deve ser usada?

Ao escrever este texto, eu fui procurar se a Ivermectina combate.  De acordo com esse bulário eletrônico, a Ivermectina é indicada para o tratamento de diversas condições causadas por vermes e parasitas.

Principais indicações de uso da Ivermectina:

  • Estrongiloidíase intestinal: causada por um parasita denominado Strongyloides stercoralis.
  • Oncocercose: causada por um parasita denominado Onchocerca volvulus. A Ivermectina é indicada antes que o parasita se torne adulto, pois, quando já desenvolvido, ele reside em nódulos subcutâneos, que normalmente não são palpáveis. A retirada do nódulo, por meio cirúrgico, pode ser recomendada para eliminar os parasitas adultos dessa espécie.
  • Filariose (elefantíase): causada pelo parasita Wuchereria bancrofti.
  • Ascaridíase (lombriga): causada pelo parasita Ascaris lumbricoides.
  • Escabiose (sarna): causada pelo ácaro Sarcoptes scabiei.
  • Pediculose (piolho): causada pelo ácaro Pediculus humanus capitis.

Ou seja, não acaba com nenhum vírus, apenas com invasores que dentro do nosso corpo.