O Forró da Coréia realmente existiu

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24 de junho é dia para de comemorar o São João, que lembra de Arraía e muito forró. Vamos relembrar do Forró da Coréia, escrito assim, desse jeito, antes da reforma ortográfica. A música de Elino Julião retrata um local que já existiu.

Antes de se tornar um estádio de futebol, hoje o Arena das Dunas, aquele terreno enorme já foi o Forró da Coréia. Outros apontam que o local ficava mais ou menos na entrada do Centro Administrativo. Primeiramente fomos pesquisar nas hemerotecas, quase não temos informação do local, só referenciando à música.

A única declaração achamos, entretanto, foi em um site cultural. A escritora Clotilde Tavares em seu seu “Umas & Outras” comentou em um dos posts sobre uma conversa que teve com Julião.

Na verdade, o Forró da Coreia era um cabaré que só tinha prostitutas que estavam encerrando a sua carreira. Por isso, o refrão da música faz referência que lá “só tem velha”.

Elino Julião é ainda quem informa que o tal forró ficava nas imediações da lagoa que existia onde hoje é o Centro Administrativo. Forró pobre, decadente, sem paredes, latada precária, fora de mão, longe de tudo, frequentado apenas por aquelas mulheres que, desgastadas pelo exercício profissional, banidas dos bordéis de luxo, somente ali encontravam guarida.

Então, se você queria paquerar mais barato, beber e ouvir um forró, o lance era portanto o Forró da Coréia.

Letra do Forró da Coréia

Confira a letra da música, visto que mostra como foi o lugar:

Só tem véia
Só tem véia
No Forró da Coréia

Só tem véia
Só tem véia
No Forró da Coréia

Barco perdido, bem carregado
Eu tinha chegado em Natal
Muito mal eu sabia
Onde eram as Rocas
Caí na fofoca legal

Do Arial eu fui à pista
Limpei a pista na Vedéia
Saí tomando uns capilé
Quando eu dei fé
Tava na coréia

Só tem véia
Só tem véia
No Forró da Coréia

Só tem véia
Só tem véia
No Forró da Coréia

Outra vez, quando eu for a Rio Grande
Por favor, ninguém mande eu andar só
Eu prefiro ficar no Igapó
Daquele forró, tenho receio
A Praia do Meio é bom pra mim
No Alecrim, a gente se faz
Eu fico lá trocando idéia
Mas na Coréia eu não vou mais

O Arial que fala na música era a estrada de terra que Natal tinha e a pista era uma referência à Hermes da Fonseca, a única via que era asfaltada naquele momento. A Vedéia, no entanto, era uma dona de um bar que ele fazia o esquenta antes de ir à Coréia. Ficava perto onde hoje é o Mercado de Petrópolis.

O Forró da Coreia foi dissolvido muito antes da construção do estádio Castelão, depois chamado de Machadão, conforme falamos neste post.  O Centro Administrativo foi também construído na década de 70.

Sobre Elino Julião

De Timbaúba dos Batistas, Elino Julião era potiguar e filho de Francisca Augusta e Sebastião Pequeno, tocador de cavaquinho, Concertina e harpa. Começou trabalhando ainda criança, no sítio Tôco, como carregador de água e alegrava os moradores da fazenda onde morava cantando e batendo em latas as músicas que aprendia nas festas de Sant’Ana em Caicó.

Costumava sair da fazenda descalço e a pé, rompendo 18 km de caatinga para bater a famosa ” peladinha ” em frente à Igreja de Sant`Ana na cidade de Caicó e articular-se, claro, para cantar na sede do Caicó Esporte Clube, no domingo à tarde.

Aos 14 anos veio para Natal e assim garantiu seu espaço para cantar no Programa Domingo Alegre da Rádio Poti, junto ao radialista Genar Wanderley, um dos radialistas mais populares na década de 50.

Para saber a história completa de Julião é só acessar aqui.

Por conseguinte já foi regravado por diversos artistas, como a cantora Khrystal. Para escutar a música, clique portanto no play a seguir: