Dez anos sem Ronnie James Dio e falarei de Heaven and Hell

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A primeira vez que escutei Black Sabbath tinha 12 anos e fiquei impressionada com as guitarras de “Iron Man”, depois vieram outras músicas, como: “Children of the Grave”, “Paranoid”, “Hole in the Sky”, “Sabbath Bloody Sabbath”…A atitude do Ozzy Osbourne me chamava atenção, quem viu os vídeos do California Jam e de outras performances da banda. Mas, não sei o porquê, com certeza infantilidade, demorei muito para escutar Heaven and Hell e entender a potência de Ronald Padavona.

É…vocês não conhecem por esse nome…

Mas, por Ronnie James Dio, esse baixinho que deixou a vida terrena há 10 anos e seu legado ainda está para quem gosta de um bom heavy metal.

Para entender que Dio foi bom no Black Sabbath, eu tive que ver a carreira anterior a banda, mais precisamente Rainbow.

Quando Ritchie Blackmore dissolveu o Deep Purple, ele se juntou com os integrantes da antiga Elf, a primeira banda de Dio e formou o Rainbow, cujo primeiro álbum já mostra a potência vocal do cantor, já no ano de 1975, lá já tinha hinos como “Man on the Silver Mountain” e “Catch the Rainbown“.

Somente no ano de 1979, Dio e Blackmore se desentederam e o cantor foi convidado por Tommy Iommi para substituir Ozzy no Sabbath.

Nascimento de Heaven and Hell

A saída de Ozzy modificou a formação clássica da banda, uma vez que o baixista Geezer Butler, um dos principais compositores da banda também deixa o grupo.

Dio então coloca a sua mão nas composições no estilo do Rainbowm que falava de dragões, castelos, magia e misticismo.

Para a sua saída, Iommi chamou Geoff Nicholls e Graig Gruber na parte do baixo. Contudo, Gruber saiu da banda, Geezer Butler acabou voltando e regravou todas as canções, e Nicholls ficou com a função de tecladista do grupo.

Na verdade, Dio nunca substitui o Ozzy e muito menos queria fazer isso.

Foi essencial para uma remasterização do Sabbath de misturar aquele som pesado Hard Rock, considerado ultrapassado (pelos críticos, não por mim) e deixar uma pegada de metal mais moderna, algo que bandas como Kiss e o Iron Maiden estavam fazendo.

Tanto que o som ficou bem mais pesado que “Never Say Die”, considerado um dos piores discos da fase Ozzy.

A única canção na qual Geezer participou da composição foi “Neon Knights”, que para mim é uma das favoritas do álbum, já que todas as outras haviam sido finalizadas antes dele retornar.

No fim das contas, todas as músicas foram oficialmente creditadas a Geezer, Dio, Iommi e Bill Ward. Você pode escutar a seguir:

Repercussão do álbum

Muita gente realmente não botava fé no novo álbum, mas o disco foi ouro no Reino Unido e Canadá e Platina nos Estados Unidos. O disco também entrou em boas colocações na Noruega e Suécia, países escândinavos conhecidos pela forte cena metaleira.

Além disso, foi o momento que Ronnie James Dio mostrou que pode ser um exímio cantor de heavy metal.

Um de seus maiores sucessos foi música “Heaven and Hell”.

A canção foi regravada por nomes como Solitude Aeturnus (em 1998), Benedictum (2006), Manowar (2010) e Stryper (2011), a última é conhecida por ser uma banda de White Metal ou Metal Cristão.

O álbum foi sucesso na Argentina, que foi vendido no país com o título de “Cielo y Infierno”.

Turnê

Muitas canções famosas foram interpretadas por Dio durante a turnê, sendo “Paranoid”, “War Pigs”, “Children of the Grave”, “Iron Man” e “N.I.B.”

A turnê mundial da banda, tinha 20 datas marcadas no Reino Unido, sendo 4 delas no “Hammersmith Odeon”, provando que a banda não tinha perdido nada de sua popularidade.

O baterista Bill Ward, entretanto, teve que se retirar no meio da turnê por motivos pessoais e de saúde.

O escolhido foi o baterista Vinny Appice, ex-Derringer, que continuou na banda até meados de 1982, quando Dio deixa a banda por causa de confusões sobre a masterização do Mob Rules e parte para a carreira solo.

Banda Heaven and Hell

Anos depois da saída do Dio, os integrantes da sgunda formção clássica formaram a banda Heaven and Hell para separar o Black Sabbath com Ozzy Osbourne. Em 2006, enquanto o grupo reunificado gravou três novas canções para o álbum compilação The Dio Years, eles decidiram partir para uma turnê de 2007–2008. Como resultado da tour, em 2007 lançaram um registro ao vivo em CD duplo e DVD chamado Live from Radio City Music Hall. O álbum obteve tanto êxito que ganhou certificado de ouro em vendas pela RIAA no mesmo ano.

Empolgados pela recepção das músicas inéditas da coletânea Dio Years, o quarteto se reuniu para gravar o primeiro disco de estúdio juntos desde 1992.

Eles  lançaram o disco The Devil You Know em 2009, que teve ótimo desempenho nas paradas e foi aclamado pela crítica e pelos fãs.

Morte de Dio

Em 2009, Dio foi diagnosticado com câncer de estômago, no qual o anúncio para imprensa foi feito pela empresária e esposa Wendy Dio.

Dio iniciou o tratamento com a doença ainda no estágio inicial e havia diminuído o número de shows nos últimos meses.

Em 4 de maio de 2010, o Heaven and Hell cancelaram todas as apresentações por causa da condição de saúde de Dio.

O cantor faleceu no dia 16 de maio de 2010, deixando os metaleiros mais órfãos.