Maria Mula Manca: famosa Dinartista do Centro de Natal

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Quem trabalha ou trabalhou com política, você sempre vai encontrar personalidades malucas que adoram abraçar políticos, visto que muitos os acham as maiores celebridades. E uma dessas pessoas ficou conhecida em Natal pelo nome de Maria Mula Manca.

Por muito tempo, os natalenses adoravam (lê-se como adoram) venerar as entidades políticas, nos anos 50 e 60 eram vistos como celebridades a nível Hollywood. As pessoas chegavam a colocar fotos dos políticos na sala de casa para venerar.

Maria Mula Manca recebia esse apelido, nada carinhoso, por ser deficiente física e andar com seu cajado no Grande Ponto, no Centro de Natal.

De acordo com os grandes cronistas potiguares, ela era corcunda, vestia roupas sujas, orelhas grandes e tinha pelos no buço. As crianças adoravam tirar sarro dela, chamando pelo apelido que detestava, por motivos óbvios.

Irada, ela batia nas pessoas, berrava todos os palavrões e xingava quem a chamasse assim.

Sua vida no Centro de Natal e fã de Dinarte Mariz

Ela era cambista do jogo do bicho e boa parte da cidade a conhecia, a profissão dela era parecida daqueles que ficam nas esquinas do centro vendendo a ficha do Natal Cap.

Maria ficou conhecida por ser a fã nº 1 do político e ex-governador do Rio Grande do Norte, Dinarte Mariz. Fazia campanha forte para o político da UDN e adorava xingar o Aluízio Alves, o maior concorrente de Mariz.

Uma vez gritou bem alto: “Vote nos três Ms: Mariz, Maia e Marinho”, referenciando Dinarte Mariz, Tarcísio Maia e Djlama Marinho.

Mas, os apoiadores de Aluízio já tinham uma resposta: “Votar nos três emes: Maria Mula Manca.”

Deixando a idosa bastante irritada e batendo nas pessoas com o seu cajado de marmeleiro. O carinho por Dinarte era tanto que conseguiu tirar uma foto com o político (foto acima do título).

A sua história chamou tanto atenção que virou uma lenda urbana na cidade, assim como a Viúva Machado.

As mães, para assustar as crianças desobedientes, dizia: “Cuidado com a Maria Mula Manca”.

Mas, o que aconteceu com a idosa?

Após a vitória de Aluízio Alves, ela retornou à Serra Negra do Norte, sua terra natal, na década de 60. Mesma cidade de Dinarte Mariz.

Sobre Dinarte Mariz

Dinarte de Medeiros Mariz nasceu no dia 23 de agosto de 1903. Seu avô, José Bernardo de Medeiros, foi constituinte em 1891 e ocupou uma cadeira no Senado Federal de 1890 a 1907.

Em 1929, durante o governo de Washington Luís (l926-1930), era comerciante de algodão em Caicó (RN), e ingressou na Aliança Liberal, apoiando a candidatura de Getúlio Vargas e João Pessoa à presidência e vice-presidência da República nas eleições de março de 1930.

Mariz participou da revolução no Rio Grande do Norte, colaborando, após sua vitória, com a junta governativa que administrou o estado entre os dias 6 e 12 de outubro de 1930. Nomeado para a prefeitura municipal de Caicó, foi o primeiro prefeito indicado pelos revolucionários em seu estado, permanecendo no cargo até 1932.

Contrário à implantação do Estado Novo, que conferiu a Getúlio Vargas poderes ditatoriais, Dinarte Mariz, durante esse período, esteve voltado exclusivamente para os seus negócios particulares.

Carreira Política

No ano de 1945 foi fundador da UDN no Rio Grande do Norte e no ano de 1954 elegeu-se senador pelo Rio Grande do Norte e ano seguinte lançou sua candidatura ao governo do estado, com o apoio do presidente João Café Filho.

Mariz venceu as eleições e se tornou Governador do Estado.

Após assumir o governo do Rio Grande do Norte em janeiro de 1956, Dinarte tornou-se motivo de violentos protestos no Congresso, em virtude de até aquele momento não ter renunciado a seu mandato no Senado Federal.

Antigo aliado político e companheiro de partido, o deputado federal Aluízio Alves pediu em 1959 o apoio de Dinarte para concorrer ao governo estadual nas eleições de outubro do ano seguinte, mas este recusou-se a apoiá-lo. Indicando para a sua sucessão o deputado federal Djalma Marinho, Dinarte rompeu com Aluízio Alves que, apoiado pelo PSD, pautou sua campanha eleitoral em numerosas denúncias de irregularidades ocorridas no governo do estado e, derrotando Djalma Marinho, conseguiu eleger-se, tomando posse em janeiro de 1961.

Era casado com Diva Vanderlei Mariz, com quem teve seis filhos, dos quais Vigolvino Vanderlei Mariz, que foi deputado federal pelo Rio Grande do Norte de 1975 a 1987. Sua filha Teresinha Mariz Duarte casou-se com Moacir Duarte, senador pelo Rio Grande do Norte entre 1984 e 1987.