Assistindo uma montagem de exposição

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Eram mais de 17 horas quando o relógio apontou minha partida de casa, primeiramente queria parar numa lanchonete para experimentar aquela promoção de pratos doces com tema de conto de fadas que estava circulando nas redes sociais. Parei e comi um delicioso bolo de arco-íris. Depois, fui ao centro de Natal, mais precisamente para o Seburubu para assistir os detalhes da Tripla Exposição,  promovida pelo escritor Raul Pacheco, no qual exibiu os almanaques do José Zapiski, seu pseudônimo que lançava mensalmente zines falando dos mais diversos assuntos e reproduzindo textos de escritores interessantes.

Quando cheguei, achei estranho que a rua estava toda vazia. Já eram 18 horas e a exposição começara, em teoria, às 16 horas. Quando vejo que o Seburubu só estava poucas pessoas e o Eduardo Vinicius, dono do local, presentes, eu achei estranho. Por um momento, pensei: 1) A festa foi cancelada; 2) Eu cheguei super atrasada e acabou; e 3) Acredito que errei o dia e estou pagando um mico gigante. Então, eu fiz rodeios até chegar na seguinte pergunta:

– Eduardo, a tripla exposição é hoje ?

O mesmo responde para mim:

– Está sim, o Raul deu uma saída, mas eu acho que ele volta e deixa te mostrar como está ficando a exposição.

Sim, a exposição não estava pronta e estava literalmente nos bastidores da montagem, mas já dava para ver um pouco da essência que Pacheco queria mostrar sobre a sua trajetória como o escritor Zapiski, ele selecionou os mais diversos zines da saga, onde reunia fotocolagem, crônica, música, cultura e até mesmo fotocolagem em um mesmo papel A4. Alguns podem até achar que isso é doideira, porém gosto deste tipo de arte.

Para quem não tem um zine do Zapiski, você o recebe todo dobrado no papel e vai soltando até formar o formato A4, porém na exposição achou melhor colocá-lo inteiro para expor, sem alguma dobradura. Além disso, a exposição contava com os trabalhos de Sarah Figueiredo e Gabriel Dantas. “As histórias que tem no quadrinho de Gabriel são bastante iradas, elas falam de assuntos comuns, mas que nos identificamos, eu quero colocar os trabalhos de Sarah e Gabriel em primeiro plano. Gosto de valorizar os amigos”, disse Raul, após uma meia hora do diálogo com Eduardo. O mesmo estava esbaforido tentando colocar EVA preto na sala para deixar um clima mais intimista.

A Tripla Exposição funcionara na seguinte forma: Um dia a exposição estaria no Seburubu e no outro dia no Mahalila. Aí prontamente perguntei:

-Como você vai conseguir levar essa exposição toda no Mahalila?

Raul respondeu:

-Sei não, só descobri que não dá para montar uma exposição em duras horas (risos).

Enquanto terminara de colocar o tecido nas paredes, ele começou a grudar o resto das obras na parede e ficou comentando obra por obra, como se fosse um velho sábio. “Esse zine aqui fiz relacionando o tema do Dragon Ball, é um anime muito bom. Você sabia que o Akira Toriyama (autor da série) é bastante fã da Fórmula 1”, comentava. Além disso, sempre perguntava qual ordem ficava melhor cada obra e preocupado se a luz ficaria em um tom intimista.

Tentava observar sem interferir no que artista estava pensando, procurava dá opiniões sutis e que não atrapalhe o andamento do trabalho. Mas, ao mesmo tempo, ficava observando a ansiedade, o medo de que não fosse dá certo e os arrependimentos de não ter começado mais cedo. Porém, tudo isso era amenizado ao som de reggae para animar aquele momento tenso. “O clima não está bom para o punk, não é mesmo?”, disse ao perguntar que música era para escutar.

Ao mesmo tempo que estava montando, os primeiros convidados chegavam e também poderam assistir a montagem de uma exposição. “Vocês vão ver o antes, o durante e o depois de toda a montagem”, brincou o Raul, que ao mesmo tempo que montava começava a ler alguns trechos de seus zines.

Após duas horas, a exposição estava pronta e todo o trabalho de Zapiski pode ser visto, registrado e gravado na história dos potiguares. E a montagem do Mahalila rolou com poucos problemas que teve na primeira.