[ARTIGO] Pare de pensar que mulher precisa de sexo

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Greta Thunberg é uma adolescente de 16 anos e, que mesmo tendo um leve grau de autismo, conseguiu chacoalhar o mundo com seu ativismo ambiental; diferente da família, que se enveredou pelas artes cênicas. Há 1 ano ficou conhecida nos tabloides europeus por criticar as ondas de calor e incêndios na Suécia de uma forma diferente. Ela faltou a escola e ficou do lado de fora do parlamento sueco com uma placa escrita “De Greve da Escola Pelo Clima”, para pedir a redução de gases poluentes que intensifiquem o aquecimento global, algo que estava dentro do Acordo de Paris. Protestos semelhantes foram organizados em outros países, como a Holanda, a Alemanha, a Finlândia e a Dinamarca.  No Twitter, ela usou hashtags e disseminou a consciência online. Thunberg participou na manifestação Rise for Climate (Erga-se pelo clima) em frente ao Parlamento Europeu, em Bruxelas, na Bélgica.

A mesma foi uma das vencedoras do artigo de debate do Svenska Dagbladet em uma competição sobre o clima para os jovens em maio de 2018. Ainda foi indicada para o prêmio da empresa de eletricidade Telge Energi para crianças e jovens que promovem o desenvolvimento sustentável, o Prêmio do Clima para Crianças, mas recusou porque os finalistas teriam de voar para Estocolmo. Em novembro de 2018, ela recebeu a bolsa Fryshuset de jovem modelo do ano.

Em 21 de julho de 2019, ela recebeu o Prêmio da Liberdade da Normandia, em Caen, no norte da França, recebendo, além de um troféu, 25 mil euros para promover sua iniciativa. Já em março de 2019, Greta foi indicada ao Prêmio Nobel da Paz. Apesar do currículo muito bom para uma adolescente, ela ainda é criticada, menosprezam o seu trabalho e utilizam o fato dela ser uma mulher para rebaixá-la.

Recentemente, um blogueiro conhecido da cidade do Natal pelos seus cargos comissionados no Estado, defender a classe média e por fazer críticas às ideias progressista disse em um programa de rádio de maior audiência do Rio Grande do Norte que as ações da sueca, principalmente na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), que acontecem nessa semana,  são resultado de ela não fazer sexo. Sim, ele chamou uma adolescente de 16 anos de mal comida. E, claro, somos totalmente contra. Isso escancara algo comum que os homens fazem: rebaixar as mulheres pelo desempenho sexual para mostrar superioridade. Pare de pensar que mulher precisa de sexo. Além disso, fazer sexo em demasia não te deixa mais inteligente, nem existe um estudo científico provando o assunto. Porém, uma das formas de deixar as pessoas mais inteligentes é lendo e pesquisando bastante sobre os mais diversos assuntos.

Na Grécia Antiga, o homem era um objeto de culto, no qual eram admirados desde os seus lindos músculos até a sua inteligência. As mulheres, por sua vez, eram tratadas como furiosas e que sempre faziam besteiras, além de ser um objeto apenas para reprodução. Ou seja, uma máquina de sexo. E a medida que a civilização foi mudando esse pensamento permaneceu, só mudando algumas palavras e figuras de linguagem. Chegando em pleno 2019, ela está lá. Viva, mas ela tem um inimigo agora.

Nos últimos 100 anos surgiu o feminismo, onde as mulheres começaram a pedir direito de votar, ter o mesmo tratamento que os homens, além de oportunidades de trabalho. Não seguir as regras que foram estabelecidas pela sociedade é algo que mexe as estribeiras de qualquer homem que tem aquele pensamento antigo e ultrapassado, principalmente por estudos mostrarem que as mulheres têm a mesma capacidade de fazer as mesmas coisas que os homens. Por medo de perder “o seu espaço”, eles entram em um combate imaginário. Assim, começa a xingar e achar que toda mulher só serve para fazer sexo e todos aqueles estereótipos de histeria que taxam a mulherada.

Todos os dias nós somos comparadas como um objeto sexual e querem colocar o nosso rendimento sexual como sinônimo de desempenho intelectual. Se você já ouviu alguém dizer para mulher, “ela é muito mal humorada porque não faz sexo”, é porque o machismo ainda existe. Sem contar que os efeitos colaterais do sexo variam de pessoa para pessoa, cada corpo reage de um jeito a certos estímulos. Ou seja, nem sempre o homem é feliz por fazer muito sexo.

O que o jornalista e outros machistas não sabem é que a mulher é muito mais que o sexo e a Greta, em nenhum momento,  não precisa de um pênis para mostrar que é inteligente e bem resolvida nos seus ideais. Uma pessoa que busca o sexo para expressar em forma de discurso de ódio mostra que não é resolvida de seus ideais e utiliza jargões do senso comum para disfarçar a falta de argumentos.  O sexo é um complemento da felicidade e não a mesma, certo? Além de que existem outras formas de ficar feliz e bem-humorado, como a prática de um esporte ou fazer uma boa ação em prol das pessoas.

O sexo não é obrigatório na vida de uma pessoa.

O resultado para o jornalista foi a perda de três grandes patrocinadores do programa e uma demissão da rádio.