Lenda do Tsunami em Natal já é mais antiga que se parece

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Recentemente foi divulgado uma fake news sobre um possível Tsunami em Natal. O boato surgiu após a notícia de um terremoto de magnitude de 5,8 na escala Richter foi registrado às 22h40 de domingo (4) no oceano Atlântico, com epicentro a 163 quilômetros do arquipélago de São Pedro e São Paulo. O conjunto de dez ilhotas fica localizado a 972 quilômetros de Natal (RN). Por ter ocorrido próximo ao Nordeste, a possibilidade de um tsunami atingir a região ficou entre os assuntos mais comentados nas principais redes sociais.

Para você ter ideia que o terremoto foi muito longe da costa terrestre. O epicentro fica a 738 km (duas voltas de Natal a Mossoró de carro) de Fernando de Noronha e 1111 quilômetros de Natal (É o mesmo caminho de carro para Salvador). Porém, de tempos em tempos sempre aparece uma história parecida com um possível tsunami no Nordeste, incluindo Natal e vamos contar esta história a seguir em ordem do mais recente para o mais antigo.

No dia 15 de maio de 2011, um terremoto de magnitude 6 na escala Richter ser registrado a 1.276 km do litoral da capital do Rio Grande do Norte. Logo após a notícia, centenas de pessoas usaram o microblog Twitter para postar mensagens com receio de possíveis ondas gigantes na capital potiguar. O alarde tirou pessoas da praia e levou o laboratório de Sismologia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) a emitir nota negando qualquer chance de tsunamis atingirem a faixa litorânea potiguar. Já a Defesa Civil também se apressou em desmentir e pediu que as pessoas não entrassem em pânico. Assim como aconteceu nesta segunda-feira (5).

O medo de um Tsunami na região existe desde tempos, principalmente sobre uma possível teoria científica, no qual cientistas afirmam em uma pesquisa realizada em 2001 que uma erupção vulcânica nas Ilhas Canárias poderia causar um grande desabamento de parte de uma montanha no mar. O impacto da queda do enorme bloco no mar causaria uma onda capaz de inundar regiões costeiras da América. A água avançaria por milhares de quilômetros dentro do continente.

A descoberta foi feita pelo cientista Dr. Steven Ward, da Universidade da Califórnia e pelo Dr. Simon Day, do Centro de Pesquisa de Riscos Benfield Greig, da Universidade de Londres. O vulcão citado é o Cumbre Vieja, no qual a sua última erupção foi em 1971.

Segundo as pesquisas, a pressão da água acumulada no interior do vulcão pode provocar o deslocamento de um bloco de pedra que forma a parede lateral deste vulcão. O bloco tem cerca de 500 quilômetros cúbicos. Em uma futura erupção do vulcão, este bloco de pedra cairia no mar a uma velocidade de de 350 km/h. A catástrofe, se acontecesse no futuro, atingiria as Américas e uma parte da Europa.

De acordo com o cientista Simon Day, em reportagem ao BBC, no ano de 2001, os danos no Brasil seriam ondas de mais de 40 metros atingindo as regiões Norte e Nordeste do Brasil. Por falar em BBC, eles realizaram um documentário com esses cientistas chamado “Megatsunami; Onda da Destruição”.

O resultado causou inúmeras matérias no Brasil, principalmente no Fantástico da Rede Globo, no qual tiveram que fazer uma reportagem para acalmar os ânimos, principalmente daqueles que moram no litroal brasileiro, como Natal. Além disso, existe uma corrente na área da ciência que esse deslizamento no Cumbre Vieja seja gradual e não de uma vez, como aponta os cientistas entrevistados pela BBC.