Dia que tive um PT no evento do PT

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A vida dos jovens de 20 e muitos anos pode ser resumida em: ficar emputecida com as coisas do Governo Federal, procurar um emprego que não seja de telemarketing e tentar ir numa festa que ainda possa se manifestar culturalmente. Um final de semana pode se resumir em bebedeira. O meu foi de uma senhora ressaca que culminou em uma tentativa de cobrir um evento para o Brechando. Era o fim de uma reportagem ? Resolvi falar sobre bebedeira e os anseios da juventude. Depois descobri que não foi a única naquele evento que também deu o famoso PT, sigla para Perda Total após ingerir álcool.

Por falar em PT, neste fim de semana houve o Festival Elas por Elas, organizado pelo Partido dos Trabalhadores (PT), na Praça da Árvore de Mirassol, que reuniu atividades culturais e discussões políticas de esquerda, além de debater os assuntos atuais, e contou com a participação de importantes ativistas midiáticos, como a Cynara Menezes, conhecida como Socialista Morena. Além disso, trouxe atrações musicais de grande porte.

“Mas, o Brechando foi comprado e vocês falam só coisa de esquerda?”. A resposta é: Somos de esquerda (mais voltada para o antifascismo, atualmente) e vamos a qualquer tipo de evento, principalmente se ele for de utilidade pública. Se o Democratas, através de José Agripino, trouxe uma palestra do Facebook para treinar todos os social medias e publicitários da cidade em um buffet super chique da capital potiguar, que por sinal eu fui (e descobri que foi organizado por Agripino de tanto a equipe dizer que o então senador “era um homem prestativo”), por que o PT não pode fazer em um ambiente público?  Afinal, ainda vivemos em uma democracia (em ruínas, mas estamos), onde os políticos têm o direito de fazer passeata, piquetes e dentre outras coisas. E o PT não faz mais que obrigação, como partido político, em criar eventos com a comunidade em geral, para discutir as suas pautas.

O Brechando vai relatar como foi o porre por etapas. Veja a seguir:

Sobre o Festival Elas por Elas

O evento vem do projeto Elas por Elas, que é uma iniciativa do partido para estimular a participação da mulher nos cargos do executivo e legislativo em todo o país, visto que dados da Organização das Nações Unidas (ONU) mostram que um em cada cinco ministros é uma mulher, mas em relação aos chefes de estados a participação feminina caiu de 7,2 para 6,6 por cento, nos últimos dois anos. Já em relação à participação de mulheres no parlamento, a pesquisa mostra que o crescimento foi de 0,9 ponto percentual nos 50 países que realizaram eleições em 2018.

No Brasil não foi diferente, mas mesmo assim a representatividade das mulheres ainda é muito baixa, por isso aumentar a participação política das mulheres sempre foi uma das prioridades da bancada feminina na Câmara.

Então, a capital potiguar foi escolhida para fazer a edição do Festival Nacional Elas por Elas, que reuniu várias mulheres nos debates políticos, artesanato e também nas manifestações artísticas. O tema principal era Cultura, Comunicação e Trabalho.

O evento começou na sexta-feira (02) com bate-papo com as mulheres do partido, incluindo a participação da governadora Fátima Bezerra, que é do partido. Tanto que o festival foi escolhido para acontecer no Rio Grande do Norte pelo fato do estado ser o único que tem como representante do Executivo uma mulher. Por falar em política, também houve um bate-papo com Elika Takimoto e Cynara Menezes, ambas bastante ativistas nas redes sociais e por falar de seu posicionamento mais a esquerda.

O sábado (03) foi marcado por apresentações culturais. A praça da Árvore de Mirassol estava dividida em três partes: um circo montado para receber o bate-papo e algumas apresentações, a feira com artesanato feito por mulheres de vários estados brasileiros e um palco, onde acontece as apresentações musicais.

Não cheguei a tempo para ver as palestras, cheguei por volta das 22 horas, mas consegui fotografar algumas participações no circo, mas estava empolgada mesmo com o artesanato, tinha umas bijouterias maravilhosas e uns lindos brincos feitos de capim dourado. Para quem era vegano, ainda tinha um hambúrguer sendo vendido por umas senhoras do Rio de Janeiro. Para ser sincera, honestamente, estávamos empolgadas com o Corote que estava a venda por seis reais do ambulante e aceitava cartão de crédito.

Estressada e querendo se libertar um pouco dessa nuvem negra que se passa por esse 2019 aos jovens de 20 anos. Por sinal, a concorrência pelo Corote estava grande, se não tivesse de um determinado sabor, o outro vendedor tinha imediatamente. Que líquido bastante concorrido, principalmente pelos universitários. Se não tiver Corote numa calourada, a festa não é sucesso,

Para quem não sabe que é Corote, é uma empresa de cachaça que se reinventou em criar coquetel industrializado. É tipo um suco de caixinha alcoolizado. Tem sabor limão, tutti-fruti, pêssego, e dentre outros. Ela é mais barata que uma Ice e custa em torno de cinco reais. Em tempos que estão vendendo cerveja por quase 10 reais, achar uma bebida baratinha para os universitários desempregados é como se achasse ouro na Serra Pelada em suas condições atuais.

A bebida é de sabor doce e agradável, o seu consumo acaba sendo de forma bastante acelerado. Sim, eu bebi como se fosse um suco de limão feito em casa. E, segundo o site Itnet, embora tenha 13,4% de álcool em sua composição, tomando como base o cálculo acima, se uma pessoa toma, em uma ou duas horas, três garrafinhas, é como se ela tivesse ingerido meio litro de uísque, vodka ou aguardente de cana em muito pouco tempo.

Por isso bebendo no show, não senti o impacto, estava até sóbria escutando e pulando como uma pessoa normal.

Nessa parte aconteceria a apresentação Elas por Elas, com direção da cantora Bárbara Eugênia, que contou com a participação de Marina Lima, Josyara e As Bahia e a Cozinha Mineira. Confesso que estava super empolgada de ver Marina Lima, uma das cantoras que cresci escutando, graças à minha mãe, que botava para escutar “Fullgás” e “Charme do Mundo”, no qual as letras são bem atuais. Já tinha participado de um sarau no Festival Literário de Natal (Flin), com Antônio Cícero, seu irmão e parceiro de composição, mas sempre queria assistir algo com Marina, que está tendo uma grande reviravolta na sua carreira, principalmente depois de superar um grave problema de voz.

Era um pocket show, com as artistas cantando em média quatro músicas do seu repertório, e o ápice foi quando apareceu a cantora Marina Lima, com um porte físico invejável e dizendo que “estava com saudades de Natal”. Começou cantando o hit “Charme do Mundo” e para a minha alegria estava cantando perfeitamente, no qual com meu corote na mão estava cantando em plenos pulmões e conseguia a ver perfeitamente.

O show foi muito bom e com uma mensagem política por trás, principalmente exigindo a participação de todas cantando “Pagu”, de Rita Lee, que deveria ser o hino de toda feminista. Além de ter gritado mensagens contra o aumento do feminicídio e os assassinatos de pessoas LGBT.

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As artistas eram tão acessíveis que antes do show, eu consegui tirar foto com Raquel Vírginia, da banda As Bahias e a Cozinha Mineira. Enquanto caminhávamos em direção ao palco, passamos na parte de trás. Vestida de corset preto e bem bonita, a Raquel gritou para gente se ela estava linda. A gente prontamente respondeu que estava lindíssima, inicialmente ficamos com vergonha de tirar foto, porém corremos e fotografamos. A foto a seguir:

Ah…O PT

Após a empolgação com o Elas por Elas, começava o show da embriaguez. Enquanto o Corote adentrava nas minhas veias e aos pouros do meu corpo, as manifestações estavam acontecendo, como ficar andando desiquilibrada, estava mais desinibida que nunca e estava gritando para cada apresentação do rap das meninas, que contou com a apresentação da potiguar Bex. Meus amigos também estavam seguindo a minha bebida, tanto que a gente cogitou uma terceira garrafa de Corote. Mas graças a falta de dinheiro, isso não aconteceu.

Como falado anteriormente, embora tenha 13,4% de álcool em sua composição, tomando como base o cálculo acima, se uma pessoa toma, em uma ou duas horas, três garrafinhas, é como se ela tivesse ingerido meio litro de uísque, vodka ou aguardente de cana em muito pouco tempo.

Enfim, a gente bebeu duas garrafas de Corote, sendo uma delas foi praticamente sozinha e ainda bebi umas cervejas e uma ice, que tem foto postada no story com ela. Em suma, eu estava pedindo para ser entregue na mão do palhaço. E eu entreguei mesmo, não vou mentir. Fiquei bastante alegrinha, dancei forró com todo mundo ao som de Trio Trancelim, começava a rir bastante e estava dançando bastante. O perigo mesmo foi quando comecei a falar mais rápido do que normalmente falo, então fiquei impronunciável.

Aí resolvi sentar para descansar e foi aí que piorei bastante, o que eu lembro (sim, esse negócio de perder a memória é real e oficial que estava no banquinho com duas amigas e elas recomendaram de ligar para meus pais me buscarem. No telefone, meus pais perceberam que eu estava daquele jeito e rezava para que não levasse bronca. Tanto que quando vi o carro do meu pai, eu só pensava: “Vixe, ferrou, né?”. E dormi.

Segundo o relato das minhas amigas, ele até ofereceu carona de volta para casa, mas elas recusaram e ficaram mais na festa. Aí fui para minha cama, minha irmã e minha mãe fornecendo água. E confiscaram meu celular. Só vi no outro dia que mandei mensagem para deus e o mundo no Whatsapp e algumas não terminaram muito bem (pedindo desculpa novamente pelo vacilo). Agora vem a ressaca. Isso foi o que o povo falou e estou relatando por aqui.

Por fim, a Ressaca

Eram 11 horas da manhã quando acordei com uma das pessoas mandando mensagem para mim muito chateado e eu pedi desculpas. Aí pensei: “Pelo amor de Deus, o que foi que eu fiz?”. Vi também mensagens dos meus amigos que estavam mortos de ressaca. Não consegui almoçar, enjoei, e fiquei o dia todo com dor de estômago, além de bater uma ressaca moral, pensando no que fiz na minha vida, que paguei todos os meus pecados e fiquei horas no banho refletindo sobre o assunto.

As pessoas realmente estão querendo fugir da realidade, querendo procurar coisas para poder sair de suas crises e demônios. Como disse Rodrigo Lima, na reunião dos Artistas Potiguares,  Antifascistas, aqueles que fazem parte da resistência precisa colocar as coisas na prática.

Está difícil, porque passamos por uma geração que recebeu todo o preparo educacional para ser especialista e competentes nas suas áreas, mas quando chegou o mercado de trabalho procura trabalhos com especialidades em geral. Aquele jornalista ou engenheiro, então, se submete aos trabalhos de venda e telemarketing, gerando uma geração de frustrados que não estão satisfeitos com o que estão fazendo, ficando cada vez mais deprimidos e não saber o que fazer para ganhar dinheiro e trabalhar com o que gosta. Sem contar que aqueles que estão com emprego nas suas áreas, tem os seus talentos podados pelos seus superiores e não tem o direito de se manifestar.

Mas, ao mesmo tempo, ainda existe uma esperança, neste evento. Mesmo eu tenha bebido feito uma condenada, descontando as minhas frustrações sobre o cotidiano atual em um Corote, vejo que ainda é poissível dar uma porrada em um governo fascista com criatividade e talento.