Tradição dos potiguares em criar sobrenomes próprios

Compartilhe:

A famosa criação de sobrenomes é um hábito comum no Rio Grande do Norte. Apesar das nossas raízes europeias, os potiguares também gostam de criar a sua própria dinastia. Meu último sobrenome, França, por exemplo, foi a criação do meu bisavô João Ferreira Nobre, que tinha como apelido Joca França, segundo o meu avô Manoel Cícero enquanto estava vivo. Após ter ficado na dúvida do porquê meu vô não se chamava Manoel Cícero Nobre após ter a certidão de nascimento do meu pai. O mesmo Manoel, quando ainda era vivo, me respondeu:

“Meu pai não queria colocar Manoel Cícero Nobre, porque já tinha um moço na família com este sobrenome, por isso ele colocou o apelido”

Assim, eu descubro a origem do meu sobrenome. Nada vindo de portugueses, franceses ou espanhóis, natural de Sítio Novo (RN) mesmo.

Investigando assuntos para colocar no Brechando, eu descobri que não era só na minha família que isso aconteceria. Através do site do historiador Anderson Tavares de Lyra, a família Salustino, tradicional de Currais Novos e herdeiros da Mina Brejuí, surgiu também de forma parecida com a minha.

Genealogicamente, o sobrenome Salustino não existe. Na verdade, um apelido de família cuja origem onomástica é o prenome do patriarca Manoel SALUSTINO Gomes de Macêdo, tornado patronímico por seu filho Thomaz (sic), acrescido aos descendentes deste, até a atualidade. Todos os demais descendentes de José Gomes de Mello (avô paterno de Thomaz Salustino) adotaram o sobrenome Gomes, sendo essa família, uma das maiores em ramificações no Seridó.

Vou explicar melhor o que aconteceu Tomaz Salustino era um político e importante empresário na região de Currais Novos. Nasceu em Acari no dia 06 de agosto de 1880. O seu nome completo é Tomaz Salustino Gomes de Melo. Como vocês podem percerber, Salustino na verdade é o segundo nome, tipo João Victor. O seu pai, Coronel Manoel Salustino Gomes, colocou um de seus nomes no filho.

Então, o Tomaz teve a brilhante ideia de transformar este nome em sobrenome e colocou em seus descendentes. Veja a árvore genealógica desenvolvida por Anderson Tavares de Lyra a seguir:

Manoel Salustino Gomes de Melo (avô de Tomaz) era filho do capitão da Guarda Nacional José Gomes de Mello (avô paterno) e Urçula Francelina de Jesus (avó materna). Foram seus irmãos:
Luiz Gomes de Mello Lula (tio);
Benedito Gomes de Mello (tio);
Maria Urçulina de Jesus (tia) casada com o capitão Laurentino Bezerra de Araújo Galvão (cunhado de Manoel Salustino);
José Gomes de Mello Junior (tio);
Joaquim Severiano Gomes (tio);
Francisco Umbelino Gomes.
E do segundo casamento do capitão José Gomes de Mello com Maria da Conceição Gomes (madrasta de Manoel Salustino), houve:
Úrsula Augusta Gomes Cortez (tia) casada com Manoel Pegado Dantas Cortez;
Guilhermina Regina Gomes (tia) casada com Francisco Vicente Dias de Araújo;
Josefa Gomes (tia) casada com Manoel Antônio Elói de Oliveira;
Maria Regina de Araújo (tia) casada com Francisco Umbelino de Araújo;
Francisca Xavier Gomes (tia) casada com Antônio Xavier Dantas;
André Avelino Gomes de Mello (tio);
Miguel Salustino Gomes de Mello (tio, que também ganhou o nome Salustino);
Rita Clementina de Macêdo Gomes de Melo casada com Manoel Gomes de Melo Junior (tio de Tomaz).
O sobrenome da família, portanto, era Gomes, mas o próprio Tomaz resolveu criar a sua própria família. Este é um dos exemplos existentes no Rio Grande do Norte.