Obra de Dorian Gray no colégio Padre Miguelinho é deteriorada

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O Grupo Escolar Frei Miguelinho foi criado em 1912, compreendendo três escolas, onde funcionou até 1962. No ano de 1963 foi inaugurado o Instituto Padre Miguelinho, possuindo na época, jardim de infância, curso primário, curso complementar , ginasial e colegial, contando ainda com o curso artesanal e industrial. Com as mudanças ocorridas após a Lei de Diretrizes e Base da Educação, o Instituto Padre Miguelinho passou a ser Centro Escolar, e atendia as escolas do polo leste da capital. Nesta época, o artista plástico potiguar Dorian Gray Caldas fez um painel em uma das salas de aula e hoje está com risco de desaparecer.

A obra se chama “Escoteiros” e foi pintado em 1963. Porém, a escola está passando por uma reforma e por um erro na equipe da construção essa arte quase seria trocada por ladrilhos. Veja a imagem da obra já sendo raspada:

As imagens da obra destruída viralizou nas redes sociais e causou muita revolta aos amantes da arte e da cultura de Natal e do Rio Grande do Norte, onde foram feitas várias postagens criticando a atitude da gestão estadual, além de criticar a falta de zelo ao patrimônio público.  Esta não é a primeira vez que uma obra de Dorian é destruída, o painel feito por ele no prédio onde funcionara o Cine Nordeste também foi retirado.

De acordo com o Governo do Estado, a raspagem na obra  “decorreu de falha na orientação dos profissionais que fazem a reforma da escola.”.  Essa reforma inclui revestimento nas três paredes do auditório, excluindo a que abriga a obra. No entanto, ao iniciar o trabalho, os funcionários que realizavam o serviço entenderam que a cerâmica seria também fixada naquela parede. “Reconhecemos que essa intervenção é indevida e comprometemos a realizar todos os esforços possíveis, junto à família de Dorian Gray, aos órgãos e aos profissionais competentes para restaurar integralmente a importante obra para a educação e a cultura do estado do RN”, disse o Governo por meio de sua conta no Twitter.

Já a Fundação José Augusto, por sua vez, disse que está em contato com a Secretaria do Estado de Educação e Cultura (SEEC) e com a filha do artista, Dione Caldas, para tomar as devidas previdência. “Insisto na profunda e urgente necessidade de se fazer Educação Patrimonial. Para tanto, já assinamos convênio com a Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) que agregará importante contribuição a esta missão.”, disse Crispiniano Neto, diretor geral da FJA.