Estudante de jornalismo faz campanha para cadastrar famílias dos desaparecidos do Planalto em banco de DNA

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No início dos anos 2000, cerca de cinco crianças foram desaparecidas no bairro do Planalto, periferia de Natal. A gente já falou no Brechando. Até hoje nenhuma solução ao crime, apenas suspeitas de que houve tráfico internacional.

Até hoje quando fala-se do tema das crianças desaparecidas do Planalto, os jornalistas tentam procurar novas pistas. Porém, uma estudante de jornalismo da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) está realizando uma campanha para ajudar as mães.

Julia Carvalho tem objetivo de traçar um perfil das famílias que ainda têm esperança de encontrar os entes sequestrados e mostrar o que foi feito em quase duas décadas de investigação.

Ou seja, ela cadastrar as mães em um banco de DNA com o objetivo de encontrar os desaparecidos que possam estar em outros países ou estados brasileiros. A campanha tem duração de dois meses e só doaram 170 reais.

“Paralelo ao material onde irei contar os fatos, também espero cadastrar as famílias na plataforma MyHeritage, empresa de expressão mundial que reúne material genético de pessoas por todo o mundo. A ideia da ferramenta é que por meio da genealogia genética parentes possam buscar outros familiares de quem se separaram em algum momento da vida. À esse exemplo, o objetivo é também inserir o DNA de membros das famílias do Planalto, dos casos citados, no MyHeritage. O custo para cadastrar cada familiar no site é de R$ 230,00, o que gera o custo total de R$ 1150,00 pelos cinco familiares”, afirmou.

Já que não é possível garantir aos familiares o empenho firme do Estado na busca pelas crianças – hoje adultos – desaparecidos. De acordo com a estudante, o financiamento coletivo e o subsequente cadastramento é uma maneira de tentar encurtar a distância dos gritos de esperança das mães ao encontro dos filhos, embora não garanta que isso aconteça.

Para ajudar a campanha, acesse esse link
 

Sobre o caso das crianças do Planalto 

O caso aconteceu entre os anos de 1998 a 2011, onde cinco crianças foram retiradas de suas famílias no bairro do Planalto, zona Oeste de Natal, sem deixar alguma pista ou vestígio. O caso ganhou repercussão nacional. À época, a criança mais nova tinha 1 ano e sete meses; a mais velha, 8 anos.

O mistério das Crianças do Planalto, como ficou conhecido o caso, começou em novembro de 1998, quando Moisés Alves da Silva, de 1 ano e 7 meses, foi levado de dentro da casa. Ele dormia com os pais e os irmãos. Em janeiro do ano seguinte foi a vez de Joseane Pereira dos Santos, de 8 anos, ser raptada da casa de uma vizinha. O terceiro sumiço aconteceu em janeiro de 2000, com o rapto de Yuri Tomé Ribeiro, de 2 anos.

Três meses depois, o pequeno Gilson Enedino da Silva, 2 anos, também desapareceu. O último caso aconteceu em dezembro de 2001, quando Marília da Silva Gomes, de 2 anos, sumiu misteriosamente de dentro de sua residência. Ela dormia com a mãe, os irmãos e o padrasto.

Segundo as investigações, quatro das cinco crianças dormiam quando teriam sido raptadas. Apenas Joseane estava acordada quando foi levada.

O Caso das Crianças do Planalto é uma das páginas mais surpreendentes e intrigantes da crônica policial potiguar. Depois de o inquérito passar pelas mãos de mais de 10 delegados ao longo de todos estes anos, a atual responsabilidade de dar um desfecho diferente ao mistério está na Delegacia Especializada em Capturas, conhecido pela sigla Decap.

Alguns apontam que foi tráfico de pessoas e outras levadas para outros países para que fossem adotados. Outros dizem que foram mortas e seus órgãos comercializados. Em meio esta onda de suposições, as pessoas querem uma resposta verídica sobre o fato.

Estima-se que cerca de 250.000 pessoas desapareçam por ano no Brasil. Em torno de 40.000, seriam crianças, arrancadas dos seus pais criminosamente para fins de exploração sexual, no trabalho ou macabramente para transplante de órgãos, dentre outras formas de proscrição da convivência familiar e comunitária de crianças e adolescentes no Brasil.