Torcedores se sentem representados ao assistir primeiro jogo da seleção feminina

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Desde o fatídico episódio do 7 x 1 na Copa do Mundo de 2014, que por ironia do destino aconteceu no Brasil, o conceito de que somos o país do futebol começou a ser questionado e não tínhamos mais aquela representatividade que a gente via nos jogos, principalmente aqueles transmitidos nas décadas anteriores, onde nossos pais fazíamos torcer pela seleção brasileira só porque éramos bons e a pauta sobre esporte rendia uma boa parte dos noticiários. Neste domingo (9), aconteceu a abertura da seleção feminina de futebol no Brasil na Copa do Mundo de futebol feminino e pela primeira vez uma emissora de rede nacional iria exibir os jogos.

Então, o grupo Peita e o coletivo Joga Miga resolveram usar o La Luna como representante da campanha delas para exibir os jogos da copa feminina nos estabelecimentos comerciais. Vale lembrar que o bar tem como sua bandeira política a defesa das minorias, o primeiro e os outros jogos da primeira fase, conforme falamos no Brechando.

Fomos ao La Luna. Afinal, queríamos saber se as pessoas realmente iriam assistir aos jogos ou estaria apenas com pouca gente. Pelo contrário, o bar estava tão lotado que a fila para pegar feijoada dava voltas e para pegar as brejas também. Ninguém sabia se iria parar em frente das duas televisões ou do telão. Ninguém queria perder algum ângulo e se não conseguisse assistir, pegava o celular para acompanhar.

Quem acompanha o Brechando nas redes sociais, a gente mostrou como as pessoas estavam realmente torcendo tão qual a masculina e até mesmo mais. Inclusive, estavam usando camisetas com nomes das jogadoras.

Os torcedores estavam empolgados com as boas jogadas e comemorava imensamente cada gol que Cristiane fazia, com direito a lançamento de fogos de artíficio, do mesmo jeito que a gente via nos jogos “tradicionais”. Além disso, uma coisa que marcou bastante foram os sorrisos das moças torcedoras, uma vez que elas sentiam representadas por aquelas jogadoras que tiveram que quebrar inúmeras barreiras ideológicas e sociais para chegar no maior campeonato de futebol feminino.

Além disso, elas representam o cotidiano de várias mulheres que estavam presente no La Luna, onde todos os dias elas enfrentam o machismo das mais diversas formas: desde aquele assédio em forma de “cantada” até o mercado de trabalho que ainda é dominado em sua maioria por homens.

Os risos e gritos em cada gol sinaliza a quebrada de argumento daqueles críticos que apontam uma “falha na qualidade” do futebol feminino em comparação ao masculino.

Esperamos que o dia 09 de junho tenha sido o marco para que se crie um hábito onde a sociedade brasileira pare o que está fazendo para torcer pelo futebol, assim como fazem nas partidas tradicionais.

O novo sempre vem!

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