7 livros que li na adolescência

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Ah! Puberdade!

Ah! Aborrescência!

Ah! Anos dourados!

Há quem não goste de se lembrar da sua iniciação ao “mundo real”, mas também há quem adore, como num deleite nostálgico e saudosista, rememorar esses anos que mais parecem um backstage do palco da vida. E nesse período é tão comum as dúvidas, as confusões, as paranoias e as pro noias, e tantas outras -noias por aí.

Há quem se aconchegue nos amigos, há quem se aconchegue no divã, há quem se aconchegue… Nos livros! Ah!… Os livros! O que seria do mundo sem eles? O que seriam de nós sem eles?

Venho aqui fazer minha primeira postagem no formato “listas”, recomendando livros que foram um aconchego nesses meus anos de descobertas. Foram minhas melhores companhias… No ônibus, na sala de aula, na penumbra da noite, no raiar do dia…

“GO”, DE NICK FAREWELL

Esse romance quase que “experimental” do escritor hanguk-in, naturalizado brasileiro, Nick Farewell eu li aos 15 anos. Li duas vezes seguidas, tamanha a dependência que tal romance fez surgir em mim. O romance se trata de um jovem, assim como nós, idealista, romântico e solitário. É assim mesmo que o personagem, DJ Fahrenheit retrata a si mesmo, ao afirmar que possui um “buraco fundo” no peito. Aliás, só fui aprender a identificar o mesmo “buraco fundo” em meu peito após essa leitura. Inclusive, só fui conhecer (e ler) o livro “Fahrenheit 451”, de Ray Bradbury após ler o romance de Nick Farewell.

Para os corações sonhadores e românticos. Leitura indispensável nestes tempos de kali yuga.

“FELIZ ANO VELHO”, DE MARCELO RUBENS PAIVA

Não pude ir ver o grande Marcelo Rubens Paiva no FLIN (Festival Literário de Natal) de 2017, mas tudo bem… Acontece. Tive o prazer de ler e reler inúmeras vezes. Tudo isso por causa da extasiante obra que “Feliz Ano Velho” de fato é. Só fui descobrir muito tempo depois que existe uma adaptação para o cinema. Não cheguei a ver o filme por completo, mas é uma pendência que sempre lembro quando quero ver um filme. No romance, Marcelo relata seu drama após o acidente sofrido ao mergulhar do topo de uma colina e bater com a cabeça numa pedra submersa, que o deixou tetraplégico. O Natal se aproximava, por isso o título. Ele relata também suas nostalgias, romances e rebeldias de uma juventude “gente como a gente”. Entretanto, mais do que sua própria superação, o livro é também um convite à superação dos nossos “maiores dramas”. Sem dúvidas alguma, este livro foi um grande amigo.

“PAPISA JOANA”, DE DONNA WOOLFOLK CROSS

Não se sabe exatamente se a existência da Papisa Joana foi verdadeira, mas muitos estudiosos afirmam que sim. A história narra a biografia de uma jovem sonhadora que queria estudar. Naquele tempo era proibido para as mulheres estudarem. Disfarçada de homem ela segue esse impulso. Desse jeito, chega ao posto mais alto da Igreja como Papisa Joana. Leitura indispensável nesses tempos de empoderamento feminino. Um livro pra estimular nossos mais sinceros ideais, dando força para a superação dos nossos obstáculos no caminho.

“OS SOFRIMENTOS DO JOVEM WERTHER”, DE GOETHE

Diz a lenda que este livro, considerado uma inspiração autobiográfica, provocou uma onda de suicídios, motivados pelo protagonista do romance. O jovem Werther se apaixona da forma que chamamos “paixão platônica”. Ele começa a nos revelar esse amor através de cartas que troca com um amigo. O livro é carregado de muito lirismo, o que o torna uma espécie de “quebra cabeça lírico”.

Pode conter gatilhos. Leitura mais que recomendado para uma existência.

“O ABRAÇO”, DE LYGIA BOJUNGA

Esse romance considerado infanto juvenil é um verdadeiro enigma sobre uma jovem que sofreu abuso sexual na infância durante as férias na fazenda da avó. É um romance muito sufocante, a narração nos guia num vívido devaneio. Curto. Li em um dia e também muitas vezes. Foi um convite à obra da grande Lygia, que já publicou romances mais consagrados, por exemplo, “A Bolsa Amarela”.

“MORANGOS MOFADOS”, DE CAIO FERNANDO ABREU

A primeira vez que tive contato com a obra de Caio F. foi através de uma antologia que juntava seus melhores contos. Descobrir Caio Fernando Abreu foi de uma riqueza literária incomensurável. O conto que sempre lembrarei de Caio será “Aqueles Dois”. O livro é dividido em duas partes, “O Mofo” e “Os Morangos”. Muitos outros contos incríveis são “Sob o Céu de Saigon”, “O Dia que Júpiter Encontrou Saturno”, “Sargento Garcia”, entre outros. Não confio em nenhum escritor (no mínimo brasileiro, pois Caio também foi traduzido pra vários países) desse século que não tenha lido Caio Fernando Abreu.

“OLHAI OS LÍRIOS DO CAMPO”, DE ÉRICO VERÍSSIMO

O mais clássico da lista. Talvez me faltem palavras devido à efusão de outras na escrita deste artigo. Cheguei a ler o livro duas vezes e descobri depois que ele foi adaptado a uma novela, transmitida para a Rede Globo. O livro retrata toda uma trama envolvendo um jovem de família pobre, que se forma em Medicina, mas ainda carrega a aversão por seu passado e suas raízes. Não somente isso nos fere no decorrer da leitura, como se fôssemos o próprio personagem, mas a carta escrita pelo seu verdadeiro amor, Olívia, que já estava com dias contados por decorrência de uma doença. O personagem então começa a criar a filha que teve, escondida, com Olívia.

Espero que gostem! Tentei ser breve nas sinopses, talvez eu possa ter tido revelado spoilers. Se alguém já tiver lido algum desses livros, comenta aí em baixo. Quem não tiver lido, ao menos uma, vai na minha, pede emprestado, garimpa no sebo ou vai na próxima livraria mesmo.

Até a próxima,

Murilo Zatú