Sabia que existe uma cidade no Mato Grosso chamada “Feliz Natal” ?

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Todo mundo que nasceu ou morou em Natal “sofre” com a zoeira dos colegas quando menciona a cidade, com frases como:

“Lá neva ?”

“Como vocês falam Feliz Natal no dia 25 de dezembro?”

“Tem Papai Noel ?”

“Como vocês celebram o Natal”.

No entanto, não é só a capital potiguar que recebe esse bullying de outros brasileiros, visto que existe realmente uma cidade brasileira que se chama “Feliz Natal”, no qual sempre é mencionada principalmente quando escrevo aqueles formulários virtuais, quando eu tento escrever o nome de Natal. Mas, por que esse nome ? Essa cidade realmente existe ? Ela é grande? Sim, fica no estado de Mato Grosso, no Centro-Oeste e achei a sua história. .

Antigamente a cidade de 13 mil habitantes era um distrito da cidade de Vera e após um grupo de funcionários de uma fazenda da região ter ficado ilhado após o transbordamento de um rio. Às vésperas do Natal, o grupo não tinha condições de voltar para casa, em virtude das estradas em péssimas condições, porém não passaram a data comemorativa em branco e escreveram “Feliz Natal” em uma árvore do local. Quando questionados sobre o local onde haviam ficado, respondiam: lá onde tem uma árvore escrito “Feliz Natal”.

O nome acabou marcando o local, que ficou com a mesma denominação depois de formada a comunidade, que mais tarde veio a se transformar no município, que foi fundado em 1989 e emancipado apenas no ano de 1995.

Essa e outras cidades da região surgiram a partir da Colonizadora Sinop S.A. (antiga Sociedade Imobiliária Noroeste do Paraná), da qual se origina a Sinop Terras Ltda., empresa imobiliária brasileira que se notabilizou por atuar na colonização de terras dos estados do Paraná e Mato Grosso. Atualmente está sediada na cidade de Sinop, em Mato Grosso, cidade cujo nome é alusivo à própria empresa que colonizou a área.

Nas décadas de 1960 e 1970 a empresa especializou-se em fazer surgir “do nada, ou de certos nadas que identificava no mapa do Brasil”, ambientes propícios à formação de assentamentos humanos. Ou seja transformando cidades em fazendas próprias.

Fundada em 1958 pelos empresários Ênio Pipino e João Pedro Moreira de Carvalho, se chamou inicialmente Sociedade Imobiliária Noroeste do Paraná, com sede em Presidente Venceslau (SP). Posteriormente conforme alteração da razão social, passou a denominar-se Sinop Terras LTDA, com sede na cidade Maringá (PR), com objetivo de colonização e implantação de cidades. Em cada uma dessas glebas foram criados Núcleos Rurais, com os respectivos cinturões verdes, denominados de “chácaras”, com lotes cortados, demarcados e com estradas vicinais, transitáveis o ano todo. Adquiriram as áreas de terras necessárias e deram início aos seus trabalhos de colonização:

A partir da década de 1970 houve dois tipos de colonização em Mato Grosso: a colonização oficial (ou dirigida) e a particular, que foi predominante no território mato-grossense, por opção dos órgãos governamentais incumbidos de promover a ocupação das terras devolutas do Estado – o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA) e a extinta Companhia de Desenvolvimento do Estado de Mato Gross (CODEMAT).

Para solucionar problemas de conflito entre os agricultores e a população indígena no Rio Grande do Sul, o INCRA implantou alguns projetos de colonização oficiais, destacando-se Terranova, Lucas do Rio Verde e Guarantã. Paralelamente, empresas colonizadoras e cooperativas  recebiam do Estado a concessão para a venda dos lotes, ficando obrigadas a montar a infraestrutura básica para o assentamento dos colonos, sendo para isso favorecidas por fundos públicos. Quer dizer, tinham direito de criar lotes por conta própria.

A partir de 1972, essas empresas e cooperativas começaram a se instalar no norte do Estado, contando com incentivos e subsídios governamentais. Grandes extensões de terras devolutas foram então vendidas a essas organizações, a preços irrisórios, destacando-se os projetos de Canarana, na região do Araguaia; Sinop, na rodovia Cuiabá-Santarém, e Alta Floresta, no vale do Teles Pires.

Essas terras foram parceladas em milhares de lotes, que foram, em seguida, vendidos a colonos do sul do Brasil. Nessa época, um grande contingente de migrantes vindos do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul  instalou-se no norte de Mato Grosso, ao longo da BR-163. Muitos deles eram originalmente pequenos proprietários rurais ou posseiros que haviam deixado suas terras no Sul no intuito de se tornarem pequenos proprietários em Mato Grosso.

Aqueles que dispunham de um pequeno pecúlio resultante da venda de suas terras preferiram os projetos da empresas privadas de colonização, que ofereciam condições mais favoráveis de instalação, apesar do custo mais elevado das terras, como foi o caso da Gleba Celeste, de propriedade da colonizadora Sinop.

A Gleba Celeste, uma área de 645 mil hectares, na altura do km 500 da BR-163, foi dividida em sítios, fazendas, chácaras. Ali também surgiriam povoados, que depois tornar-se-iam cidades Vera, Sinop, Santa Carmem e Cláudia.