Discutindo a ansiedade dentro do Uber

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Pesquisando os artigos médicos, eu li que a crise de ansiedade pode ser identificada na presença de alguns sintomas como:

  • Palpitações (coração bate forte), dor no peito, aumenta da pressão sanguínea;
  • Sensação de sufocação;
  • Tontura, dor de cabeça;
  • Boca seca com dificuldade para engolir;
  • Respiração rápida e ofegante;
  • Medo de perder controle da situação;
  • Estômago embrulhado, indigestão, náusea;
  • Relaxamento dos esfíncteres com aumento da necessidade de urinar e/ou diarreia;
  • Aumento da transpiração e rubor facial;
  • Aumento da tensão muscular principalmente na região do pescoço e ombros;

A ansiedade é uma resposta do organismo a alguma situação ameaçadora e um alerta para que a pessoa possa se proteger e fugir dessa ameaça. Muitas vezes, é um sinal benéfico que facilita a identificação de um perigo e ajuda a pessoa a tomar as medidas cabíveis para contornar a situação. Quando a ansiedade se transforma em algo constante na vida da pessoa, trazendo prejuízos para as atividades diárias, ela passa a ser uma patologia que precisa de intervenção terapêutica e, em alguns casos, medicamentos.

Como diz no vídeo do Hawk com Ellora Haonne: “A Ansiedade é o medo do futuro”.

Estamos vivendo numa geração tomada pela fluoxetina, como já falei por aqui, no qual crescemos com uma vida cheia de expectativa, entregue não só pelos nossos pais, mas também com as coisas do cotidiano. Porém, passamos por um maremoto e nada do que falávamos que iria acontecer fugiu do roteiro. Rapidamente, a gente teve que se virar para criar um novo jeito para viver, gerando pessoas com medo do futuro ou frustrados com o passado.

Recentemente, saindo de uma festa, eu fui pegar um Uber por volta das 5 horas da manhã e o mesmo falou que preferia trabalhar de madrugada. “Porque as pessoas mais procuram nesse horário do que no período de trabalhar”, confessou. Aí vem uma frase surpresa: “Eu tive que tomar dois litros de energético para poder trabalhar, senão eu perco meu dia de trabalho”. Então, eu pergunto se ele não fica ansioso:

“Claro, antes de trabalhar tive crise de ansiedade. Então, parei e respirei. Rapidamente melhorei. Essa geração é muito ansiosa, né? Acabei de me formar, mas não arranjava algum emprego e estava ansioso demais para ficar em casa o tempo todo. Queria o meu próprio emprego, assim resolvi ser Uber”.

O mesmo ficou conversando que já chegou a parar no hospital por ter tido crise de ansiedade, “parecendo que eu iria ter infarto a qualquer momento”. Tanto o trabalhador quanto eu concordamos que vivemos em um mundo que querem respostas rápidas para perguntas demoradas, fazendo com que muita gente da nossa idade (eu e ele estamos na faixa de 20 e poucos anos) fique com a saúde mental totalmente degastada, no qual o pedido de ajuda vem através dos tratamentos psicológicos ou entrando em vícios.

“Ninguém ensinou a gente a lidar com os nossos sentimentos, só apenas uma boa formação para arranjar um emprego massa. Hoje temos conteúdo, empregos ruins que cada vez mais exigem formação. Isto enlouquece qualquer pessoa”, comentei para o rapaz, que rapidamente concordou. “Não arranjei estágio na faculdade, pois queriam que eu tivesse conhecimento que só aprenderia nos semestres finais”, lamentou.

Agora o próximo passo é conscientizar as pessoas a procurar o caminho diferente.

O carro parou na minha casa e ambos desejaram boa sorte para lidar com a ansiedade e nunca mais o vi.