Esta cruz marca o fim da cidade de Natal

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Todos sabem que Natal foi fundada em 25 de dezembro de 1599, por isso recebe este nome. O Marco Zero é a Praça André de Albuquerque, mas aonde era o limite final da cidade? A cruz da foto acima se chama Santa Cruz da Bica e era lá que marcava o fim do território que seria Natal. Quando foi fundada, Natal, para a Coroa Portuguesa, tinha o objetivo de ser povoada como forma de marcar o domínio português.

Os logradouros da cidade se constituíram ao estilo vigente, onde as ruas estreitas e desalinhadas eram, via de regra, apinhadas de casinhas de taipa e poucas casas de melhor qualidade (pedra ou tijolo). Era um período em que ainda não havia a separação das esferas pública e privada, no tempo em que as missas aos domingos, as procissões e os eventos religiosos encontravam-se na égide dos acontecimentos políticos, sociais e econômicos como uma argamassa unificadora da sociedade colonial.

Evidenciando o bairro da Ribeira no contexto histórico e urbanístico da capital potiguar, seu surgimento e suas caracterizações como forma de elucidar a continuidade histórica no processo de formação e transformação do espaço citadino. A Ribeira geograficamente localiza-se ao norte do núcleo urbano inicial, era uma área alagada

De acordo com Câmara Cascudo, a demarcação inicial sumária seria a chantação de duas cruzes, marcando o sítio da futura cidade, os limites sagrados da urbs. As cruzes foram fincadas nos aclives da colina. A cruz do norte ficou onde hoje fica a Praça Pedro Velho (alguns apontam a Praça das Mães, perto da Ordem dos Advogados do Brasil), e a rua que levava a Ribeira, a ladeira teve o nome de rua da cruz, até março de 1888 quando lhe crismaram de rua Conselheiro João Alfredo. Em março de 1896 passou a ser o que está sendo, Rua Junqueira Aires, que hoje se chama Avenida Câmara Cascudo.

O nome da cruz se chama Santa Cruz da Bica, porque ela ficava nas margens do Baldo, cujo nome antigamente era Rio das Bicas.

No período da fundação, em Natal, poucas casas se erguiam tímidas e frágeis, mesmo em seu centro, que no século XVIII contava com três igrejas, casa de Câmara e Cadeia, Armazém, Casa da Alfândega e dos Contos Reais, Real Erário/Tesouraria da Fazenda. Enquanto na Ribeira (Cidade Baixa), constata-se que sua ocupação se deu a partir do século XVIII, por fazendas e chácaras. A construção da ponte de Barros Braga, por volta de 1736 (ligando a Cidade Alta à Ribeira), comprova a existência de uma população no local, sobre a referida ponte o historiador da cidade relata que “Depois da “ladeira” (muito tempo após, rua da Cruz) a Campina guardava, perene e seguro, o grande pântano alimentado pelas marés. Havia uma pontezinha.

A cruz do rio do Baldo foi posteriormente transferida para uma parte mais alta ficando, com o tempo, esquecida entre as árvores de um bosque. Na segunda metade do Século XIX, os irmãos Trajano, Lopo e Claudino de Melo, foram à colina cortar madeira para construção de casa, e encontraram a cruz escondida entre as árvores. Os três irmãos, juntamente com vários conhecidos, a retiraram do local e a levaram para o espaço em que se encontra hoje. Na data de 03 de maio, alguns fiéis iniciaram um terço ao lado da cruz, mesmo sem a presença de um padre. A partir de sta iniciativa litúrgica a celebração passou a atrair muitos devotos, tornando-se uma festa popular.

Em volta da cruz que liga as ruas Gonçalves Lêdo, Voluntários da Pátria e Santo Antônio está uma praça, onde chegaram a ser realizada algumas festas religiosas.  Algumas autoridades municipais tentaram preservar aquele monumento, no entanto, as intempéries do tempo acabaram por destruir aquela relíquia histórica, existindo nos dias de hoje, na pequena praça ali erigida, um cruzeiro que guarda alguns fragmentos da peça original.