Capas do RN Econômico mostram que a imprensa potiguar está no mesmo lugar

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Foram poucas revistas que surgiram no Rio Grande do Norte e dentre elas está a RN Econômico, que circulou no mercado no final da década de 60 e saiu de circulação em meados dos anos 80, quando foi desenvolvido O Jornal de Hoje. Atualmente, a RN Econômico é uma gráfica. No entanto, as publicações podem ser encontradas facilmente na internet, visto que elas foram digitalizadas pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), através de sua biblioteca digital no Laboratório de Imagens e Documentos Históricos (Labim).

Inicialmente, a publicação era quinzenal e depois passou para mensal.

A revista RN/Econômico nasceu da sociedade entre Marcelo Fernandes e Marcos Aurélio de Sá, com a colaboração financeira e técnica de empresários, de técnicos, jornalistas, intencionando fazer um periódico que inclua assuntos de cunho econômico, social e político, voltados para o empresariado, mesmo querendo abrir caminho com novos leitores, induzindo aos estudantes a leitura da sua revista para “formar” a mentalidade desses jovens, porém ao longo do tempo mostrou que era uma publicação mais de cunho político, principalmente na década de 80, considerada a década perdida.

Mesmo com a posição de se tornar uma revista que seria “imparcial”, ao longo do ano de 1980, é fácil compreender que a linha editorial do magazine articula as notícias de uma maneira a privilegiar uma posição oposicionista em relação aos fatos políticos e econômicos ocorridos ao longo do período de governo de Lavoisier Maia (1979 – 1983), onde defenderam a renúncia do então Chefe do Executivo Estadual.

Além disso, eles defendiam novos nomes da política na época, como o Flávio Rocha, que tentou ser candidato para Presidente da República no ano passado e filho de Nevaldo Rocha, dono da empresa Guararapes, e José Agripino, filho do ex-governador Tarcísio Maia e integrante da Aliança Renovadora Nacional (Arena).

Selecionamos mais de 20 capas para mostrar que a imprensa do RN não mudou e problemas urbanos no estado ainda continuam o mesmo. Então fica o questionamento: A imprensa segue a política ou a política segue a imprensa?

Esta análise também foi feita no Trabalho de Conclusão de Curso de Alyne Barreto Gomes, graduada em história pela UFRN, que conseguiu catalogar todas as revistas que estavam no Arquivo Público do Estado e também chegou nesta mesma conclusão.

Olhe algumas capas a seguir:

Agora, vai para imprensa local e veja as manchetes que estão circulando. Mudaram? Não! Isto mostra que precisamos de uma inovação na imprensa e não estou falando que eles devem falar o que eu penso politicamente. Mas, eles precisam ser honestos em dizer o que pensam e que estão sendo parciais. A falta de diálogo entre leitor e narrador faz com que as pessoas procurem cada vez mais fóruns e saibam de informações por aí mesmo.