Não é que o Forró do Dagô existe

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Foto: Lara Paiva

Quando a gente pensa em Dagô, logo pensamos neste jingle de sua campanha para vereador ou deputado estadual:

Ou quando ele aparece no Alecrim com seu carro de som sempre acompanhado de um boneco com a sua imagem:

Geralmente, ele anda com seu carro nas ruas do Alecrim para divulgar a sua candidatura, mas principalmente por seu principal instrumento de trabalho: Forró do Dagô, sua casa de shows. Sempre acompanhado com o bordão “Ei…Me Ajude”. Ou soltar pérolas assim para vender o seu CD:

Mas, aonde fica? Esse lugar realmente existe? A casa realmente existe e fica nos cruzamentos da avenida Coronel Estevam e Bernado Vieira, entre os bairros do Alecrim, Nazaré e Dix-Sept Rosado. As apresentações acontecem sempre no sábado, das 22h às 5 da matina, e domingo, das 15h à meia-noite. Os táxis e Ubers estão sempre indo e voltando para buscar e deixar os forrozeiros de plantão. Ou seja, uma opção de balada mesmo para o povão.

Andando pelo Alecrim no domingo é fácil de encontrar, visto que é uma das poucas casas que estão funcionando no centro comercial do domingo e as pessoas sempre vão ao local bastante arrumadas, geralmente com roupas bem brilhosas. Ou ainda tem aquele bebum dançando forró ao som que estava tocando na porta.

Ainda de quebra pode ver o dono da casa chegando a cantar, como esse no vídeo a seguir:

Dagô é o nome de Flaviano Dagoberto Ferreira de Andrade,  no qual a sua carreira política começou em 2000. A primeira legenda de Dagô foi o Partido Socialista Brasileiro (PSB), há 12 anos. Entretanto, sem conseguir sair candidato a vereador no pleito daquele ano, decidiu migrar para o Partido dos Aposentados da Nação (PAN) e postulou ao cargo de deputado estadual em 2002, quando obteve 3.233 votos.

Em seguida, migrou para o antigo Partido da Frente Liberal (PFL) e, em 2004, foi mais uma vez candidato a vereador e ficou na suplência com 2.067 votos. Até a vitória deste domingo, foram mais três campanhas, sendo duas delas para deputado estadual e uma para vereador.

Dagô cresceu catando vidro no lixo, vendendo picolé e cavaco-chinês. Na década de 70 se tornou taxista e no final dos 90 criou a casa de shows de forró. A carreira política  se confundiu com seu jingle de campanha. Sem condições financeiras para produções mais elaboradas com publicitários, o forrozeiro adaptou uma caminhonete com caixas amplificadoras e saía pelas ruas da capital dizendo: “Ei, você aí na rua… me ajude! Você, pedreiro, me ajude!”.

Além de abordar os possíveis candidatos em alto e bom som, a música de campanha de Dagô tinha um efeito ‘chiclete’ que virava hit a cada dois anos: “Vote no 25.123… Dagô será eleito pela primeira vez”. Somente em 2012 foi eleito como vereador.  Durante o seu mandato foi flagrado entregando picolés para crianças, criando festas de forró e ser um dos defensores ferrenhos pelo fim do Uber em Natal. Não foi eleito na última eleição municipal.

Em setembro de 2017, o Blog do Bruno Giovanni divulgou um áudio entre Felipe Maia e e o ex-vereador Dagô, onde discutem cobrar o compromisso do prefeito Carlos Eduardo Alves para Dagô chegar à Câmara, há considerações aventadas sobre o afastamento do vereador Raniere Barbosa. A configuração da eleição de 2016 resultou em sete eleitos pela coligação da qual fazem parte o PDT, do prefeito Carlos Eduardo, e o DEM.

Integraram ainda o grupo PMDB, PR, PROS e PSC. Foram eleitos Raniere Barbosa (PDT), Carla Dickson (PROS), Ubaldo Fernandes (PMDB), Luiz Almir (PR), Júlia Arruda (PDT), Kleber Fernandes (PDT) e Chagas Catarino. Desses sete, Ary Gomes é o primeiro suplente. À época das trativas com Felipe Maia, Dagô chega considera a hipótese de assumir uma vaga na Câmara faturando em cima de Raniere, que foi afastado, mas não teve o mandato cassado.