[ARTIGO] Alexia, Clarindo e o luto dos ciclistas

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Cláudio Clarindo era o ultraciclista conhecido como Black Bull e durante cinco anos consecutivos participou de uma competição em que cruzava todos os Estados Unidos de bicicleta durante quase duas semanas. Tinha grana e uma ampla equipe por trás. Embora tivesse recursos, eles mostravam que a união era mais importante que tudo.

A sua felicidade foi interrompida. Era um um dia de treinamento comum, porém, na estrada Rio-Santos, um motorista chamado Gabriel dormiu no volante e atropelou o Clarindo durante o seu treino habitual.

Voltamos para Natal. A Tribo Totipah é um grupo que busca o amor, na meditação e nas práticas espirituais. Com as suas bicicletas, eles andam por várias cidades do país. Após um sonho de uma criança andando sobre a aurora boreal, o Marcelo Totipah teve a brilhante ideia de sair de Salvador até o Alasca com a bike. Após convidar os amigos através das redes sociais, surgiram várias pessoas que quiseram ajudar o amigo.

Eles não tinham recursos nenhum para esta viagem e mesmo assim eles resolveram pedalar ao infinito e além.

Dentre eles estava a Alexia, uma estudante de psicologia que queria buscar novas aventuras e procurar a paz interior, algo que não a encontrava. Ela saiu um pouco depois que os amigos, mas conseguiu os encontrar. A cada cidade, passagem e encontro nas cidades era um momento mágico e encantador. Eles chegaram em Natal e foram para Pium e outros pontos paradisíacos que o RN oferece, mas uma andada na ciclovia da Ponte Newton Navarro interrompeu a jornada dos jovens e acidentou a Alexia, que teve morte cerebral.

O corpo foi levado para Salvador e o momento que era propício em desistir foi mais um estímulo para continuar a viagem em nome dela. Uma terapia do luto bastante diferente.

A história de Clarindo e da tribo se juntaram nesta quinta-feira (29), quando o documentário sobre o Black Bull foi exibido no campus central do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Norte (IFRN) e mostrava um ultraciclista que fazia altas brincadeiras, era simpático e não tinha tempo ruim, mesmo diante das dificuldades dos avanços da prova.

Por outro lado tinha a tribo que tentava colocar um sorriso no rosto, mesmo que há 15 dias eles foram vítimas de um terrível acidente. O Marcelo, emocionado, antes da exibição do filme, contou como foi difícil atravessar novamente na Ponte Newton Navarro e da esperança de passar o ano novo no estado do Amazonas. Além disso, ele ressaltou a importância do amor e da compaixão das pessoas, visto que o amor move.

Alguns minutos depois, o Clarindo durante os seus depoimentos comentou que a importância destas competições não era apenas ganhar, mas ficar rodeado dos amigos que ama. A lição do filme e que a tribo têm em comum é mostrar que quando está feliz e está cheio de amor, as atividades mais difíceis estão para serem superadas.

O luto, não necessariamente, precisa ser doloroso e ficar internado em um divã de uma terapia, mas pode ser continuando as atividades que eles sempre promoviam.

Agora, a Tribo está se preparando para sair da cidade e ir em direção ao Norte, alguns já estão documentando as suas aventuras em busca da Aurora Boreal. A Associação de Ciclistas do Rio Grande do Norte, a ONG Baobá e Eu sou o Amor se mostraram dispostas a ajudar os rapazes a adquirir o material necessário para que eles pedalem com bastante segurança.

Preparar para mais dois ou três anos de aventura, em nome de Clarindo e Alexia, além do amor pelo ciclismo.