Qual relação de Zila Mamede com o Mar?

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Zila Mamede era paraibana, mas seu coração era do Rio Grande do Norte. Com cinco anos, se mudou para Currais Novos, onde seu pai teve uma fábrica beneficiadora de algodão. Durante a Segunda Guerra Mundial, ela se mudou para Natal, onde começou a sua vida de poeta e bibliotecária, no qual atuou na Biblioteca Central da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e Câmara Cascudo.

Suas principais obras: Rosa de pedra (1953); Salinas (1958); O arado (1959); Exercício da palavra (1975) e Corpo a corpo (1978).

Sobre o mar, ela tem diversos poemas sobre o mar. Confira um:

ELEGIA
Não retornei aos caminhos
que me trouxeram do mar.
Sinto-me brancos desertos
onde as dunas me abrasando
tarjam meus olhos de sal
dum pranto nunca chorado,
dum terror que nunca vi.
Vivo hoje areias ardentes
sonhando praias perdidas
com levianos marujos
brincando de se afogar,
com rochedos e enseadas
sentindo afagos do mar.
Tudo perdi no retorno,
tudo ficou lá no mar:
arrancaram-me das ondas
onde nasci a vagar,
desmancharam meus caminhos
– os inventados no mar:
depois, secaram meus braços
para eu não mais velejar.
Meus pensamentos de espumas,
meus peixes e meu luar,
de tudo fui despojada
(até das fúrias do mar),
porque já não sou areias,
areias soltas de mar.
Transformaram-me em desertos,
ouço meus dedos gritando
vejo-me rouca de sede
das leves águas do mar.
Nem descubro mais caminhos,
já nem sei também remar:
morreram meus marinheiros,
minha alma, deixei no mar.
Pudessem meus olhos vagos
ser ostras, rochas, luar,
ficariam como as algas
morando sempre no mar.

Zila Mamede morreu afogada em 1985, enquanto nadava na Praia do Meio, situada na costa litorânea, próxima ao Forte dos Reis Magos, em Natal, como fazia quase diariamente. Neste poema, acima, ela fala do mar como parte das memórias dos lugares em que viveu.

Assim como o personagem deste filme que falaremos nesta postagem, nesta terça-feira (13), na Casa da Ribeira, estreia mais um novo curta-metragem em Natal chamado “Mar de Zila”. O curta é ficção, mas mostra é uma homenagem à Natal e as pessoas que sempre retornam. Sessão aberta ao público com entrada franca (sujeita à lotação do espaço). A distribuição de ingressos a partir das 18h.

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Após a sessão, haverá bate-papo com a equipe e pocket-show da banda Mahmed, responsável pela trilha sonora original do filme. Por falar na banda, o integrante

A história conta a vida de um homem que retorna à sua cidade origem, que é Natal, após muitos anos sem pisá-la, e descobre que durante o caminho várias sensações lhe acontece.

Foi produzido pela Jatobá Filmes, dirigido por Ariana Mondo, e um dos contemplados do edital Cine Natal 2014 e de Economia Criativa do Sebrae. Confira o teaser a seguir: