Por que estas mulheres estão protestando em Natal?

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Em Natal, na sexta-feira (16), um grupo de mulheres, de diversas organizações políticas, se reuniram na Parada do Circular, no Via Direta, para protestar um recente caso de feminicídio que aconteceu em Natal. O nome pode parecer estranho, mas este tipo de crime mata muitas mulheres.

A jovem Anna Lívia Salves , de 19 anos, foi assassinada a facadas pelo ex-marido enquanto amamentava o filho do casal, um bebê de seis meses.  Ela morreu dentro da casa da ex-sogra. O ex-companheiro dela, Felipe Cunha Pinto, também de 19 anos, se entregou no Batalhão da Polícia Militar e confessou o crime.

De acordo com a Polícia Militar, Ana Lívia foi até a casa da sogra – na mesma rua onde morava – para amamentar o filho de seis meses que estava com o pai. Enquanto ela amamentava o bebê foi atingida por vários golpes de faca. O suspeito fugiu correndo. O Samu foi acionado, mas ao chegar ao local foi constatada a morte de Ana Lívia.

A mãe chegou a publicar uma carta desabafando, que pode ser lida a seguir:

Hoje, junto-me a milhares de mães que tiveram a vida de suas filhas interrompidas brutalmente. Anna Lívia, minha filhinha tão amada, criada com tanto amor, carinho, cuidado, dedicação. Em sua adolescência, se apaixonou, namorou, criou expectativas, planejou. Anna queria ter uma família, criar seu filho junto ao pai. Ela tinha sonhos e planos. Ela não conseguiu realizar seus sonhos como planejava. Minha filha sofreu, durante muito tempo, agressões físicas e psicológicas. Ela aguentou calada, ela tinha esperança de criar seu filho junto ao pai. Ela tentou. Ela só queria sua tão sonhada família. Anna Lívia não conseguiu. Foi em Kauã, seu grande amor, seu bem maior, que ela encontrou forças para tentar sair desse relacionamento frustrado. Ela estava tentando reviver, recomeçar. Fazia tempo que eu não via minha filha tão linda, uma mãe, cuidadosa, amorosa. Dessa vez seus sonhos foram interrompidos definitivamente. Sua vida foi interrompida. O ódio, a intolerância, a monstruosidade levaram minha filha de mim. Deixou um filho sem mãe (e pai). Eu estou despedaçada, procurando forças para juntar os cacos da minha vida. Que Deus me dê forças para cuidar de Kauã, para dar-lhe muito amor, todo o cuidado, como minha filha faria. Que Deus me dê forças para lutar por justiça. Sheyla Cristiane

Parentes de Ana Lívia compareceram ao protesto pedindo o justiça e o fim da violência contra a mulher.

Mulheres se reuniram nesta sexta (Foto Sheila Pontes: Núcleo Amérlias)
Mulheres se reuniram nesta sexta (Foto Sheila Pontes: Núcleo Amérlias)

Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), o Brasil é o quinto país que mais mata mulher.

Lá, as mulheres se reuniram portando faixas e cartazes como uma forma de criticar a violência contra mulher e o fim do machismo, visto que a cultura patriarcal, ajuda a predominar crimes como abuso sexual, estupro, agressão e feminicídio.  O quê? O feminicídio é o crime em que mulheres são mortas por companheiros ou parentes.

34,34% dos assassinatos de mulheres este ano vieram de preconceito de gênero ou violência doméstica.  Dos crimes registrados, nove foram em Natal, três em Mossoró e dois em Caicó, Ceará-Mirim, Jaçanã e São Gonçalo do Amarante. Houve um aumento de 25,9% em relação ao ano passado.

Além disso, os crimes de feminicídios foram detectados em Acari, Alto do Rodrigues, Areia Branca, Baraúna, Bom Jesus, Canguaretama, Jucurutu, Monte Alegre, Parnamirim, Patu, Pureza, Rafael Fernandes, Santa Cruz, São João do Sabugi, São José de Mipibu e São Rafael.