Skatistas ainda utilizam a Praça de André de Albuquerque

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Os sinos batiam cinco vezes na Igreja Matriz de Nossa Senhora da Apresentação para indicar que já era 17 horas naquela quinta-feira (25). O pôr do sol já estava começando a aparecer e podia admirá-lo na Praça André de Albuquerque, local onde Natal foi fundada e fica próximo de importantes prédios históricos da cidade. Mas, ainda temos uma outra opção. Qual é? Ver os garotos andando de skate e fazendo manobras radicais na região.

Desde os anos 80, a Praça André de Albuquerque é utilizada como um point para os skatistas de Natal, principalmente pelo seu piso liso, que é ideal para treinar, sem contar com a falta de pistas públicas, que só surgiram no final do ano passado. Apesar de ter tido inúmeras reformas nos 30 anos, as pessoas continuam andando por lá, tanto as antigas quanto a nova geração.

Os pontos da praça são utilizados como obstáculos, como bancos quebrados pela falta manutenção e esculturas.

A jovem Raires Silveira é estudante de Odontologia e nas horas livres anda com usa longboard pela praça, que mora no bairro de Cidade Alta. “De vez em quando a faculdade é bastante estressante e andar de skate pode te ajudar a relaxar bastante”, afirmou a jovem.

O skate foi apresentado através de amigos, visto que estava procurando algo para se entreter nos tempos livres na capital potiguar, visto que só vai à Lagoa Salgada, onde os pais moram, durante o período das férias. “Lá eu consigo andar com o meu skate, pois a rua de lá tem uma pista adequada para longboard”, contou.

Agora, ela pretende terminar os estudos e voltar para Lagoa Salgada. Ao ser questionada se já sofreu preconceito por ser mulher e andar de skate, ela prontamente respondeu: “Uma vez fui fazer uma consulta por um garoto e ele comentou que andava, aí respondi que também praticava. O garoto ficou falando: ‘E menina pode andar de skate é?'”.

O Diogo Rodrigo mora em Nova Natal e durante duas vezes por semana pega o trem para a Ribeira, sobe a ladeira de skate e passa o dia praticando. Mas reconhece que “precisa arranjar um emprego primeiro para sustentar, pois terminou o segundo grau”.

“Aonde for para andar de skate, dá certo para mim”, afirmou. Ele comenta que também vai em outros lugares praticar as suas manobras, como o Presépio de Natal, no bairro da Candelária.

Praça André de Albuquerque sempre foi palco dos skatistas (Fotos: Lara Paiva)
Praça André de Albuquerque sempre foi palco dos skatistas (Fotos: Lara Paiva)

O terceiro skatista que foi entrevistado pelo Brechando foi Victor Pacheco, que mora no bairro do Alecrim, bairro onde surgiu os primeiros praticantes em Natal na década de 80, e anda para todos os lugares com a prancha sob rodas. Ou seja, ele substituiu o busão pelo skate. “Todos os dias saio da avenida 10 e venho para cá andar e em outros lugares. É praticamente um exercício físico e não preciso ir para academia”, afirmou o jovem.

Apesar de nunca ter participado de competição, ele não descarta a ideia de profissionalizar. “Utilizo mais como um hobby mesmo. Preciso de um emprego para comprar os meu tênis, skates novos e outros equipamentos bons”, declarou.

Foi incentivado por amigos, como o João Victor que estava acompanhado do Pacheco. “Hoje, ele está andando bem que só a bixiga (risos). A gente também anda lá perto da Arena das Dunas, principalmente no fim de semana”.

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A luta por um lugar adequado para treinamentos é antiga. Os adeptos do esporte reivindicam a criação de um skate parque desde 1986 e, mesmo fazendo passeatas e manifestações, a prefeitura de Natal ainda não atendeu aos pedidos. No ano passado, a Prefeitura criou uma pista de tamanho pequeno para Nordelândia.

O Diogo já declarou logo que alguns lugares que são para pista de skate não são feito por pisos adequados. “A Praça Vermelha tem um chão bastante liso e ótimo para fazer as nossas manobras. O da ZN não é muito bom, só um quebra-galho”, comentou.

Os jornais várias vezes registraram os protestos em frente da prefeitura, fazer passeata, fazer “skeitada”, fazer faixa, de entregar 15 plantas e nunca sair do papel. Uma outra opção é treinar por dentro da loja Lee Boards, que fica na Avenida Ayrton Senna, zona Sul da capital. Mas, precisa pagar para usar.

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Para conseguir obstáculos e rampas mais parecidas com as encontradas nas competições, os atletas treinam no município de Parnamirim, localizado a 20 minutos da capital. Na Praça do Disco Voador, localizada em Ponta Negra, alguns skatistas construíram, por conta própria, alguns obstáculos.