Entenda a briga de Aquarius x Governo Federal

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A estreia está prevista nas salas de cinema no dia 1 de setembro e não se sabe se estará disponível na capital potiguar. Vale lembrar que o “O Som ao Redor”, do diretor Kleber Mendonça Filho só veio à Natal na sessão de filmes cults do Cinemark, quando ainda existia.  O filme pernambucano já conseguiu entrar nas salas de cinemas de mais de 50 países e está previsto ficar disponível no Netflix, com exceção no Brasil.  Vamos explicar a confusão que envolve neste filme nesta postagem.

No cinema São Luiz, na cidade do Recife, nesta semana, houve a pré-estreia do filme e o mesmo foi ovacionado, com alguns protestos contra o presidente Michel Temer. O filme que foi bastante elogiado pelo Festival de Cannes, mas é alvo de briga, principalmente por integrantes do Governo Federal.

Recentemente, o  Ministério da Justiça decidiu que o filme Aquarius, que é co-produzido por Walter Salles, terá classificação indicativa para maiores de 18 anos. A alegação é de que o filme tem cenas de “sexo explícito e drogas”. Aquarius foi lançado mundialmente no Festival de Cinema de Cannes, em maio, e ganhou notoriedade quando a equipe e o elenco exibiram cartazes de protesto contra a movimentação política que afastou Dilma Rousseff no tapete vermelho.

Alguns acreditam que a classificação foi um ato de censura do Governo Federal para inibir que as pessoas assistam o filme. Para quem não sabe, quanto mais visto for o filme, mais chances de adentrar e distribuído nas redes de cinema do mundo todo, mais chances as indicações ao Oscar.

A página oficial da Vitrine Filmes, distribuidora do filme, publicou uma mensagem em que se diz “surpresa” com a decisão. “Entramos com um recurso para que isso fosse revisto, levando em conta que outros filmes com conteúdos semelhantes receberam uma classificação indicativa mais branda. O recurso foi negado. Respeitamos a decisão do Ministério, mas discordamos dela.”

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A primeira decisão foi publicada no Diário Oficial da União do dia 12 de agosto, e o recurso da distribuidora Vitrine Filmes foi indeferido no Diário desta segunda-feira, 22.

Por causa disso, o diretor do filme ‘Boi Neon”, Gabriel Mascaro, retirou o seu trabalho na lista de possíveis candidatos a tentar uma vaga na categoria de “Melhor Filme Estrangeiro”, na edição de 2017 do Oscar. O comunicado oficial foi divulgado nas redes sociais.

Mascaro também pediu a retirada do filme após descobrir que o crítico de cinema Marcos Petrucelli foi escolhido pelo Governo Federal para comissão que determinará qual o filme brasileiro que tentará uma vaga no Academy Awards no ano que vem. Além disso, Petrucelli é um dos críticos de “Aquarius” e já fez críticas bastante ácidas para Mendonça Filho.

Para Gabriel Mascaro, o filme “Aquarius” é o que merece se candidatar a melhor filme estrangeiro. Outra diretora que também vai retirar seu filme na lista dos candidatos brasileiros é Anna Muyalert, com o “Mãe é só uma”, que também é da mesma distribuidora de Aquarius.

Continuando o trabalho do aclamado O Som ao Redor (2013), Aquarius também investe nas tensões sociais relacionadas ao ambiente do urbano. No filme, Sonia Braga interpreta Clara, a última moradora de um prédio antigo na praia de Boa Viagem, Recife, alvo da pressão de uma empreiteira, que quer comprá-lo, derrubá-lo e construir um edifício maior no lugar. A moradora, porém, resiste.

As filmagens aconteceram ao longo de sete semanas entre agosto e setembro de 2015, em vários bairros do Recife.

O longa também participou do Festival Internacional de Cinema da Nova Zelândia, de Melbourne, de Sarajevo (Bósnia) e ainda foi selecionado para participar do Festival de Cinema de Nova Iorque, nos Estados Unidos.