Como forma de impedir o crescimento do Facebook e Google já começou a atingir o Brasil

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Os internautas ficaram chocados na manhã desta quinta-feira (8) ao saber que a Folha de S. Paulo não compartilhará os links de suas matérias nem criar conteúdo próprio para o Faceboook. Agora se quiserem ler as matérias do jornal, terão que entrar no próprio site. A decisão veio a partir do novo projeto editorial do impresso, publicado no ano passado, e das alterações do algoritmo da rede de Mark Zuckerberg, no qual agora passou a privilegiar conteúdos de interação pessoal, ou seja, cada vez mais difícil um conteúdo de uma página passar na timeline dos usuários.

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“As desvantagens em utilizar o Facebook como um caminho para essa distribuição (de conteúdo) ficaram mais evidentes após a decisão da rede social diminuir a visibilidade do jornalismo profissional nas páginas de seus usuários”, disse a Folha em sua publicação. Além disso, eles sentem em desvantagem enquanto trabalham para publicar uma notícia apurada e bem escrita aumenta a quantidade de compartilhamento de Fake News, favorecendo “cada vez mais a criação de bolhas de opiniões e convicções”.  

A Folha também comentou que sente prejudicada com a mudança,uma vez que a interação das 10 maiores páginas de jornais brasileiros no Face caiu 32% em janeiro de 2018 comparado ao mesmo mês em 2017. O jornal ainda frisou os leitores poderão continuar compartilhando conteúdo da Folha em suas páginas pessoais da rede social.

Esta guerra contra o Facebook, no entanto, não acontece apenas com a Folha de S. Paulo, outros jornais estrangeiros também estão batalhando nas trincheiras. Em julho do ano passado, nos Estados Unidos, a News Media Alliance, equivalente à Associação Nacional dos Jornais no Brasil, disse que os meios de comunicação se veem forçados “a entregar seus conteúdos e jogar sob suas regras sobre como apresentar, priorizar e monetizar as notícias e a informação”.

Uma declaração da associação que reúne cerca de 2 mil grupos de veículos disse que as organizações de notícias “estão muito limitadas em seu poder de negociação com o duopólio formado, que absorve o decrescente segmento de receitas de publicidade”. O grupo, antes chamado Newspaper Association of America, inclui importantes jornais, como The New York Times e The Wall Street Journal, mas também veículos menores e organizações de notícias.

A indústria jornalística vive uma queda irrefreável da demanda por notícias impressas à medida que os leitores se voltam cada vez mais para as plataformas online. “O Facebook e Google ganham 70% dos gastos em publicidade nos EUA”, disse a mesma organização.

Essas decisões citadas no blog volta ao questionamento: “Será que existe uma linha tênue entre o marketing digital e o bom jornalismo ?”, “Como fazer para compartilhar uma notícia ?” e “Como alimentar a fome de uma população sedenta de informação ?”.

Os jornais precisam parar com essa hipocrisia de que não são uma marca, como uma Riachuelo, Coca-Cola, Renner e dentre outras. Apesar de não venderem bebidas, roupas ou alimentos, o texto sempre foi principal produto e utilizado como o mercado para conseguir patrocinadores e o consumo deste conjunto de palavras o fizeram enriquecer.

Isto mostra que o jornalismo está cada vez mais perdido com o uso das redes sociais. Decisões da Folha de S. Paulo e jornais americanos estão contrários o que Henry Jenkins propõe de que as mídias analógicas e digitais precisam convergir, uma vez que o jornalismo precisa ser uma rede social, estruturando um formato que não fique abaixo do mínimo esperado pelos usuários e consumidores. A convergência não necessariamente precisa ser uma amostra do conteúdo, compartilhando apenas o link do site ou vídeo do You Tube, mas fazendo parte de criação de conteúdo online, como fazem o BuzzFeed, BBC, The Intercept e a Vice, exemplos de mídias que conseguem vencer as barreiras do algoritmo.

Eles impulsionam publicações apenas de posts feitos em parcerias com grandes empresas. Apesar do conteúdo jabaculê, esses sites estimulam os usuários a visitar o site, principalmente colocando bons conteúdos em links relacionados nas suas matérias fazendo com que fiquemos bastante mais tempo do que deveríamos ficar. Além disso, um bom layout estimula a interação do público e ajuda mais o engajamento de fiéis.

Jornais, por favor, parem de criar templates parecendo um impresso de computador, isso não está ajudando a ganhar mais usuários assíduos. Se o conteúdo for bom, as pessoas vão pagar para assinar o jornal e ter acesso ao site, as famosas paywalls.

Provavelmente veremos, futuramente, mais pessoas informadas em sites que divulguem notícias de forma mais dinâmica, como o BuzzFeed do que no Jornal Nacional.  Isto vai ser o retrato mais real das Eleições Gerais de 2018, algo que já aconteceu há quatro anos atrás. A Dilma Rousseff só ganhou as eleições como Presidente da República pela forte divulgação nas mídias sociais.

Saindo da política e indo para o entretenimento. Algumas páginas de Facebook de sucesso, como Galãs Feios, também estão andando por outras redes sociais, como o You Tube para criar conteúdos exclusivos e convergindo com a plataforma original.

Portanto, temos que tratar as redes sociais não só como um expositor de conteúdo, mas também um aliado para divulgação da marca. Isto também não quer dizer que devemos ser escravos do Facebook e Google, mas parceiras da mesma, do nosso jeito. Ao mesmo tempo, precisamos criar novas ferramentas de divulgação de conteúdo, seja criando um novo dispositivo ou uma nova rede social, criando a nossa autonomia. Um dia pode ser o Facebook o importante meio de comunicação, mas daqui a 10 anos não. Assim como a Folha de S. Paulo.

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