Cinco discos de rock do BR que nem são lembrados pelos roqueiros

Compartilhe:

Todo mundo sabe que o Brechando gosta de música e também procura raridades, como bons discos de rock, que não são tão falados pela grande imprensa e muito menos pela mídia especializada, comentados apenas em fóruns específicos. Por isso, listamos cinco excelentes discos de rock produzidos no Brasil que nem são tão lembrados pelos roqueiros assim. Confira:

1) Capital Inicial – Rua 47

Esquecido completamente nos anos 90, se tivesse sido cantado em inglês, facilmente faria sucesso internacional. Este foi o único disco que não teve a participação do cantor Dinho Ouro Preto e é considerado um dos melhores discos do grupo (na minha opinião, o melhor), trabalhado com um som mais pesado, cheio de riffs e letras mais cabeças, diferente do som do Capital dos anos 80 que era comparado direto com Legião Urbana, uma vez que o grupo é formado por ex-integrantes do Aborto Elétrico, que originou as duas bandas citadas.

2) Ronnie Von – 1969

Em essência, este Lp une um experimentalismo de música erudita com rock’n’roll, caminhos esses que já haviam sido percorridos por diversas bandas, mas Ronnie Von conseguiu ir além, criando uma sonoridade única com instrumentos brasileiros e arranjos que remetem às músicas tropicalistas. Porém, o disco foi criticado ferozmente pela imprensa que perguntava o que queria aquele bom moço cantando músicas românticas. Hoje, ele é bastante cultuado pelos artistas roqueiros e o LP pode ser encontrado entre 100 a 500 reais nas lojas especializadas.

3) Arnaldo Baptista – Loki?

Após a ruptura dos Mutantes, cada integrante partiu para a sua própria carreira solo. Um deles foi o Arnaldo Batista (não confunda com Amado Batista, o cantor brega), que criou em 1974 o disco “Loki”, que foi lançado em 1974 depois de um suposto ataque nervoso. O álbum expressa sua angústia perante a sociedade, unida à análise de sufocantes aspectos da humanidade: solidão, drogas, sexo e até óvnis. As letras falam sobre sua infelicidade, decepção e arrependimento; devastado pelo divórcio com Rita Lee, Arnaldo realiza algumas de suas composições mais inspiradas e melancólicas, no que seria uma espécie de último lampejo criador, precedendo a derrocada psiquiátrica de que até hoje padece e que já então se anunciava de forma evidente. Uma clara evidência da tênue linha existente entre loucura e genialidade.

Somente nos anos 2000, o disco foi relembrado pelos roqueiros e é considerado um dos 100 melhores discos pela revista Rolling Stone.

4) Sociedade da Grã-Ordem Kavernista Apresenta Sessão das 10

Eu comecei a gostar de Raul Seixas de verdade com este álbum e podem me presentear com o LP do grupo (se for ryco, claro, pois é caro e tem poucas edições circulando). Foi gravado em 1971 nos estúdios da CBS, no Rio de Janeiro, pelos quatro kavernistas. Quando lançado, o disco não obteve sucesso nem de público e nem de crítica. Foi abandonado à própria sorte até mesmo pela gravadora, cujos executivos tanto no Brasil quanto na matriz, nos Estados Unidos não gostaram do resultado final. Com isso, não houve investimento em divulgação do trabalho nas rádios e programas musicais da época. Muitas lendas cercam esse disco que traz 11 faixas intercaladas por vinhetas. A principal delas diz que Raul, Sérgio, Edy e Míriam gravaram as músicas às escondidas, à noite, sem que ninguém na CBS soubesse, e que por esse motivo Raul Seixas, então um bem-sucedido produtor da gravadora, teria sido demitido

Misturando rock, samba e psicodelia, o disco foi resgatado nos anos 2000 e hoje é bastante cultuado por alguns roqueiros.

5) Alceu Valença & Geraldo Azevedo – Quadrafônico

Este é o primeiro álbum tanto de Alceu Valença quanto Geraldo Azevedo e mistura rock com música regional do Nordeste. Tem ciranda, coco, viola caipira, rock mas é a psicodelia quem dá a liga. Uma obra-prima roqueira brasileira. Recebe este nome porque nas gravações foi utilizado o sistema Quadrafônico, uma novidade à época.

Comentários no Facebook

Deixe uma resposta