Discutindo o jornalismo com o Fabio Farias, do Apartamento 702

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Quando entrei na faculdade de jornalismo na UFRN, o Fabio tinha recém-terminado e estava trabalhando no impresso, criou a revista 14 e dentre outras coisas voltadas ao jornalismo cultural. Nós dois temos blogs e sempre discutimos o futuro do jornalismo, seja nas redes sociais, nos bares ou encontros profissionais. Após o fechamento do Novo Jornal, no qual ele trabalhou nos primórdios, não seria diferente. Atualmente, ele está trabalhando em Belo Horizonte numa empresa de marketing digital e concilia sua vida de blogueiro no Apartamento 702.

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Isso, contudo, não impediu que a gente trocasse e-mail para discutir. Além disso, a gente criou sem querer um guia para explicar a diferença de portal e blog, já que sempre confunde os nossos respectivos sites da mesma forma. O resultado do bate-papo pode ser conferido a seguir:

Vamos explicar para galera a diferença de blog e sites de notícias

Site de notícias produz notícias quentes. Blogs produz conteúdo mais frio, focado em um segmento e, em geral, mais pessoal ou mais focado em ajudar alguém a fazer algo.

Recentemente, você fez um curso para criação de blogs. Qual o objetivo do curso?

Educar o mercado. As pessoas ainda não sabem trabalhar com blogs, não sabem monetizar blogs, não sabem criar audiência. Os chamados “blogueiros” de Natal são, em geral, gente que escreve coluna de jornal na internet. Não é blog, é coluna de jornal.

Como você enxerga os meios de comunicação em Natal e RN?

Bons profissionais, péssimos empresários. Uma classe empresarial velha, desconectada e que pensa o negócio mais como uma forma de se prostituir para políticos, do que de gerar valor real para a população.

Esse mês, o Novo Jornal fechou após 8 anos e agora no RN temos dois impressos. O impresso está morrendo mesmo?

O impresso já morreu!

Há um motivo para isso: primeiro por conta do hábito do consumidor. Se, antes da internet, os jornais impressos, rádios e tvs detinham o monopólio da informação e, por isso, alcançavam grandes audiências que era monetizada através de publicidade, hoje o cenário é bem diferente. A internet diluiu esse poder.

Então, o jornal que competia em um cenário pequeno e previsível, se viu no meio de uma competição com vários players: desde blogs, a empresas de tecnologia como Google e Facebook. O que aconteceu? A verba de marketing diminuiu. Como não bastasse, o hábito de ler jornal de papel é cada vez menor hoje e, provavelmente, será ainda menor em 10 anos. Continuar nesse modelo de negócio é secar gelo, jogar dinheiro no vaso.

Agora sim, vale salientar: o jornal impresso morreu, não o jornalismo. O jornalismo continua vivíssimo.

A gente sabe que as mídias sociais é uma extensão da nossa comunicação, mas como trabalhar como meio de comunicação e fazer notícia com ela, além de ser divulgador de matérias de site?

Uma estratégia bem sucedida de comunicação digital tem a ver com duas coisas: persona e segmentação. Se você tem bem mapeado quem é a sua persona e escolheu uma segmentação para você trabalhar, a rede social se torna um aliado eficaz na estratégia. Se, para a sua persona, é interessante postar memes, por exemplo, fará sentido postar memes. Mas há algo que é preciso ser dito: rede social é uma casa alugada, ela não é sua e os parâmetros de audiência podem mudar. Site ou blog são seus, você que comenda. É sempre melhor você enviar sua audiência para o seu domínio e não mantê-la numa rede social.

Qual é a função real do jornalista neste meio Web? Tu achas que a profissão vai acabar?

A profissão está vivíssima e vai ganhar cada vez mais relevância. Mas os jornalistas precisam de duas coisas: primeiro, deixar de lado essa nostalgia dos anos 50, olhar para frente e encarar de peito aberto o futuro e a inovação; segundo, entender melhor a audiência e passar a produzir com foco nela, não com foco em outros profissionais de jornalismo.

Acredita que haverá uma necessidade de ter uma faculdade de Comunicação Social no futuro?

Acredito que existe muito espaço para a pesquisa acadêmica e que Comunicação Social será ainda mais relevante nisso, já que a maior revolução econômica e social desde a invenção da prensa de Gutemberg, é a internet e a internet é, essencialmente, comunicação.

Você ainda se considera jornalista?

Uma vez jornalista, sempre jornalista.


Sobre Lara Paiva
Oi, eu sou o Goku. Mentira, meu nome é Lara. Sou jornalista formada pela UFRN, natural de Natal. Sempre fui de humanas. Tem um blog para expor as suas curiosidades e anseios desta vida e mostrar os diferentes lados da vida urbana.

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