Entrevistando a atriz Alice Carvalho, a Jéssica de Septo

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As mulheres geralmente são criadas para serem princesa, arranjar um príncipe encantado e o casal, na teoria, deveria ser feliz para sempre. Na teoria, mesmo, pois na prática muitas querem fugir deste roteiro estabelecido pela sociedade e querem fugir dos padrões. Este foi o caso de Alice Carvalho, que trabalha como atriz e está com o seu trabalho reconhecido, principalmente por ser a protagonista de “Septo”, websérie potiguar que já está indo para a sua segunda temporada.

Além disso, ela está se formando em Artes Visuais na UFRN. Carvalho se define como “artista de alma e fé”. Um de seus primeiros trabalhos que chamaram a atenção da imprensa local foi a peça “Do Amor”, roteirizado por ela, que conta a história de uma garota desesperada para casar. O sucesso foi tão grande que se transformou em livro do Jovens Escribas.

O lado atriz começou quando era criança, nas aulas de teatro do colégio, como uma ferramenta para diminuir a ansiedade e hiperatividade. “Tinha um professor muito compreensivo comigo, o Neemias Damasceno. Eles despertou em mim esse amor pela arte mesmo que eu nem entendesse direito o que de fato eu estava fazendo. Dali pra frente eu fui buscando oficinas, pequenos cursos, workshops, tudo que eu podia agarrar para me manter perto dessa plenitude que sentia enquanto fazia – empiricamente – o que fazia. Deu no que deu”, disse.

Apesar de gostar do que faz, ela lamenta a falta de mercado de trabalho no Rio Grande do Norte, no qual lhe aflige e a maioria dos colegas. No entanto isto não é motivo para lhe deixar desanimada, visto que está trabalhando na segunda temporada da websérie “Septo”, uma parceria do Caboré Audiovisual com a página Brasileiríssimos.

A produção potiguar conta a história de Jéssica, uma triatleta que não está satisfeita com o seu lado profissional e neste período de dúvidas e incertezas encontra com uma professora de surf chamada Lua, com quem se envolve amorosamente. O sucesso foi tão grande que ganhou prêmio na Argentina e também recebeu indicações em eventos na Ásia.

“Jamais [esperava em receber prêmios]. Mesmo! Foi uma grata surpresa.”, afirmou. Agora, eles estão na fase de pré-produção para a segunda temporada, cujos roteiros já estão prontos.

Porém, Alice Carvalho envolve em 1001 projetos ao mesmo tempo. Alice está finalizando a montagem de mais uma peça, chamada “Inkubus”, que vai ter direção de Junior Dalberto, trilha sonora de Jamisson Pinheiro, supervisão musical de Antonio de Pádua, direção de arte de Luana Cavalcante e produção artística de Gabi Barros.

Portanto, os trabalhos não param e isso é importante para mostrar o empoderamento da mulher. Mas, qual a importância desta palavra? A Alice explica: “É a quebra do status quo. O feminismo emerge nas pessoas um senso forte de empatia, é uma luta árdua e linda. Se empoderar é criar oportunidades e brechas pra outras mulheres saírem da sombra dos homens. Empoderamento e representatividade são a chave pra uma sociedade mais justa.”.

Além disso, para ela todo dia é matando um leão (lê-se machismo) por dia, inclusive de safar de assédios. “No teatro, hoje, eu me sinto a vontade para trabalhar com quem eu quero na cidade, as moças e rapazes que admiro, mas já sofri assédio moral em um outro ambiente de trabalho. Acho que até meus 18 anos, era algo muito normal pra mim. Coincidentemente, foi a idade em que comecei a me empoderar, ler, buscar conhecimento sobre meus direitos e saí de dentro de vários vendavais. Acontece.”, lamentou.

No entanto, ainda precisa escutar comentários impertinentes, inclusive sobre a sua sexualidade.”Parece que pra algumas pessoas é mais importante saber para o quanto eu estou dando, como eu estou dando, qual o gênero da pessoa para quem estou dando do que se eu sou uma boa pessoa, se sou gentil com quem não tem nada a me oferecer, se respeito meus pais, se ajudo a educar meus irmãos, se faço arte para mudar meu micro-universo e tornar o mundo um lugar melhor, se uso meu trabalho para o bem…”.

Por causa do empoderamento, no entanto, foi que a ajudou entender melhor e conseguir mostrar o seu trabalho sem grandes receios. “”O empoderamento, pra mim, foi importante inclusive para minha auto-estima em relacionamentos, eu percebi que não era menor que os caras, que eu não precisava me sentir passava e me forçar a ter essa passividade. Foi um bom filtro para relacionamentos em geral.”.

Assim, a Alice comentou a importância de associar a arte com a política, principalmente para questionar os problemas da sociedade. “Penso em arte como uma faca amolada, uma coisa pontuda que alerta e cutila. O poeta é antena da humanidade, é pela arte que a população é alertada das injustiças. Só através de um artista a gente reflete sobre si e sobre o mundo”, finalizou.


Sobre Lara Paiva
Oi, eu sou o Goku. Mentira, meu nome é Lara. Sou jornalista formada pela UFRN, natural de Natal. Sempre fui de humanas. Tem um blog para expor as suas curiosidades e anseios desta vida e mostrar os diferentes lados da vida urbana.

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