Jefferson Alemão: De Parelhas para condutor da Tocha

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A gente pensava que 2016 seria tranquilo, porém já tivemos um bilhão de reviravoltas. A única coisa que está dentro dos planos é a Olimpíada, no qual realmente acontecerá no Rio de Janeiro em agosto deste ano. Para manter a tradição, a tocha, símbolo da competição, precisa rodar em vários cantos do mundo e nos estados brasileiros. Neste sábado (4), o objeto veio à Natal e centenas de pessoas percorreram diversos pontos da cidade. Para os condutores, era um momento de representar as suas origens e o seu legado, mas também de agradecer pelas conquistas alcançadas.

Uma coincidência foi a tocha passar na minha vizinhança. Quando li no Twitter que a tocha estava rondando Ponta Negra, Capim Macio e Neópolis, eu rapidamente comecei a dar uma volta ao quarteirão. Após uns 100 metros de andanças, eu vi um grupo esperando um dos condutores, um adolescente chamado Jefferson, conhecido pelo apelido de Alemão. Eles estavam com faixas, cartazes e felizes pelo jovem representar o esporte potiguar na condução da tocha.

-Nós estamos aqui desde às 17 horas, disse um dos rapazes que estavam esperando o jovem Alemão.

A expectativa era que a tocha aparecesse nas ruas em torno das 18h30, mas o relógio já apontava às 19 horas. Foi o momento para conversar e descobrir um pouco mais do garoto.  Então, comecei a conversar com o pessoal e vi que o prodígio tem uma história muito bacana.

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Equipe do Projeto Goleiro esperando Jefferson Alemão (Fotos: Lara Paiva)

O nome dele é Jefferson Gabriel de Lima Sobrinho, natural de Parelhas, município da região do Seridó do estado. A cidadezinha habita 20 mil pessoas e conhecida por ser maior produtora de telhas no Rio Grande do Norte.

Em Parelhas, o menino vivia com a avó e era conhecido pelas suas danações, envolvido com amizades erradas e os parentes temiam que fosse fazer alguma besteira.

O rapaz se mudou à Natal, mais precisamente no bairro de Cidade da Esperança, com a família para ser goleiro de futebol.

Durante a Copa do Mundo, no ano de 2014, ele foi selecionado para ser um dos porta-bandeiras do jogo da final.

Alemão faz parte do Projeto Goleiro, criado por Paulo Jean após a morte do seu filho, vítima de um acidente automobilístico. O Paulo Jean “Jeanzinho” Júnior era uma das promessas do time sub-20 do Alecrim.  O pai resolveu criar um projeto com a intenção formar atletas. A ideia da ONG era do próprio Jeanzinho, no qual o pai resolveu colocar a ideia na prática após a morte dele.

Quem está no projeto desde cedo é o Alemão, que hoje é conhecido por ser um dos alunos mais disciplinados, estudiosos e esforçados.  Hoje, a escola treina no bairro de Nova Descoberta e reúne várias crianças que desejam ser goleiro.  A história do Projeto Goleiro e de Alemão fez com que ele fosse selecionado para conduzir a tocha olímpica em Natal.

A expectativa do pessoal era enorme, todos estavam ansiosos para olhar o menino segurando o símbolo olímpico, pois era o fruto de um longo esforço.

-Ai Meu Deus, cadê o Alemão? Será que ele está vindo? – falava um dos membros da comitiva.

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Animadores faziam parte da festa

De repente eu escuto um som de fogos de artifícios e percebi que uma comitiva havia chegado. Vários carros apareciam na rua para anunciar quem seria o próximo condutor da tocha. Ao mesmo tempo, havia um trio elétrico tocando músicas bastante tocadas no Spotify e entregando diversos brindes, desde uma coca-cola personalizada (o refrigerante patrocina os jogos olímpicos), tochas infláveis e dentre outros brindes. Então, uma pessoa chega e anuncia: “O próximo condutor é o goleiro Jefferson Alemão”.

Após o tratamento de celebridade, o jovem sai do ônibus com a tocha na mão e várias pessoas começaram a fotografá-lo.  Nervoso, Alemão estava emocionado, mas conseguiu atender todo mundo que estava em sua volta. “Estou bastante feliz por conduzir a tocha olímpica da cidade e representar o projeto Goleiro”, afirmou.

Pessoas que estavam rodando pelo local pediram uma foto com ele e lhe parabenizaram pela sua conquista, elevando ainda mais o orgulho de participar da festa. Era um dos poucos momentos em que a gente poderia conhecer histórias incríveis e guardá-las na memória. Conhecer pessoas que não imaginávamos que existiam em Natal.

Além disso, tinham dois carros com DJs, animadores gritando e parecia que estava em um carnaval. A rua parecia que estava em festa. Várias pessoas gritando, dançando e pulando.  Por sinal, um dos carros era uma espécie de carro de apoio, onde as pessoas poderiam subir no veículo para poder acompanhar todo o trajeto da tocha até a Arena das Dunas, seu destino final.

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Todo mundo queria fotografar e abraçar o Alemão

Após 10 minutos, uma equipe da organização da condução da tocha rapidamente veio ao Jefferson e explicou como funcionaria o trajeto. “Olá, está nervoso? Primeiramente, parabéns. Você vai andar durante 200 metros, pode correr ou andar normalmente, faça do seu jeito. Este é o seu momento, importante. Curta e aproveita essa oportunidade única”, comentou o rapaz.

Rapidamente, uma comitiva, tão animada quanto a primeira, anuncia a chegada da tocha e a ocasião da troca de condutores, que foi bastante tumultuada e várias pessoas fazendo fotos nos seus celulares e máquinas fotográficas. Jefferson manteve a sua tranquilidade e começou a andar com a tocha acessa nas suas mãos.

Vimos a tocha olímpica #natal #tochaolimpica #olimpiada #rio2016

Um vídeo publicado por Brechando (@_brechando_) em

Os fãs que lhe esperavam estava toda orgulhosos e rapidamente postaram vídeos e fotos dessa experiência nas redes sociais. Estavam orgulhosos daquele menino de Parelhas representar um projeto que ajudou a tirar vários meninos da periferia da marginalidade. Esperamos que Alemão seja cada vez mais falado e continue querendo continuar sendo jogador de futebol.

Apesar dos problemas existentes no território brasuca, a condução da tocha foi um dos momentos animadores que já presenciei. Fiquei orgulhosa de contar histórias de superações como a de Jefferson Alemão.

Veja o álbum de fotos a seguir:

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Sobre Lara Paiva
Oi, eu sou o Goku. Mentira, meu nome é Lara. Sou jornalista formada pela UFRN, natural de Natal. Sempre fui de humanas. Tem um blog para expor as suas curiosidades e anseios desta vida e mostrar os diferentes lados da vida urbana.

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