Potiguares constroem próprios jogos de tabuleiro

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Quando se pensa em elaborar o jogo de tabuleiro, muitos possuem a imagem do pai de Lily Aldrin, Mickey, da série How I Met Your Mother. Para quem nunca assistiu o programa, o personagem vivia elaborando diversos jogos, nos quais a maioria eram bem bizarros e por isso foram um fiasco. Mas, você pode ser diferente de Mickey Aldrin, pois aumentou a quantidade de pessoas produzindo os seus próprios jogos e vendendo em meios independentes ou sites especializados.

Sabia que algumas empresas fazem financiamento colaborativo para produzir alguns jogos? Posso citar vários exemplos de jogos que surgiram a partir desta maneira.

Sábado foi dia de experimentar jogos de tabuleiros da terra (Fotos: Lara Paiva)
Sábado foi dia de experimentar jogos de tabuleiros da terra (Fotos: Lara Paiva)

Os jogos de tabuleiro cresceram quase 40% nas vendas nos últimos quatro anos. Em Natal, três lojas físicas foram abertas voltadas para o ramo e além disso, existe um evento que reúne os maiores fãs da área. Muitos pensam que tabuleiro é apenas Banco Imobiliário, Xadrez, Gamão, War, Detetive e dentre outros. Entretanto, existe uma gama além desses jogos conhecidos pelo público e é uma ótima opção para aqueles que estão entediados.

Um dos mais conhecidos da atualidade  (mesmo surgido em 1995) é “Descobridores de Catan”, traduzido para mais de 30 línguas e com 18 milhões de cópias em todo o mundo. Especialistas apontam que a internet ajudou o crescimento nas vendas dos boardgames, através de blog e canais do YouTube.  No Brasil, existem várias empresas especializadas e algumas construindo jogos próprios.

O foco deste texto é falar da produção independente, uma vez que alguns potiguares estão incentivados a partir de vários projetos para elaborar os seus próprios jogos. Neste sábado (30), o Instituto Metrópole Digital foi sede da sexta edição da Oficina Lúdica, evento que reuniu os amantes do tabuleiro que querem saber mais sobre o universo, e também adquirir o conhecimento em elaborar, futuramente, algum.

Durante o evento, alguns potiguares chegaram em arriscar de mostrar os protótipos de suas produções, porque até o momento os tabuleiros genuinamente do Rio Grande do Norte estão em fase experimental e nos últimos dois meses foram criados vários eventos cuja intenção é experimentá-los, fornecer críticas para aperfeiçoá-los e, o mais importante, se divertir.

Algumas pessoas possuem a intenção de produzir esses tabuleiros apenas para se divertir entre os amigos, porém outros ainda sonham em ganhar a vida com isso. No evento deste sábado, um dos garotos que apresentou seu protótipo é o Thiago, que conseguiu elaborar um jogo baseado na Idade Média em apenas um mês.

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Um pouco do jogo de Thiago

“Demorei um pouco mais para elaborar as regras, mas a concepção toda demorou um mês”, comentou durante uma conversa informal. Este é o segundo projeto de Thiago na parte de elaboração de jogos de tabuleiro.

Inicialmente, ele se reuniu com mais seis pessoas para que pudesse experimentar a sua façanha. Como funciona o jogo? Cada jogador tinha as suas próprias dinastias e feudos, a intenção do jogo é conquistar pontos. Portanto, quanto mais desenvolvida a terra, melhor. Thiago levou as peças do jogo, como a carta e o tabuleiro em si, que foram elaboradas por ele a partir de um programa de edição.

Um dos participantes deste experimento era Tendson Silva, um dos grandes colecionadores de boardgames em Natal e já falamos numa matéria sobre ele aqui no Brechando. Além de ser colecionador, Silva é um dos grandes incentivadores do hobby e apoiadores da produção da terrinha, tanto que não era a primeira vez que participava de um evento como esse.

“Para você fazer um jogo, você precisa procurar um equilíbrio entre o desenvolvimento da história, tempo e a dinâmica do jogo. São esses fatores que vão ajudar para saber se um jogo é bom”, disse Tendson durante as jogatinas.

Voltando ao jogo experimental, a arte ficou muito bem feita e foram impressos em um papel de boa qualidade. Isso já mostra o profissionalismo no próprio protótipo. Já as peças secundárias foram coletadas a partir de outros jogos, mas futuramente serão desenvolvidas as feitas para o jogo.

“Só não tive mais tempo de dedicar ao jogo, pois eu trabalho com dois expedientes e ainda tenho que cuidar da família”, justificou. Vale lembrar que apesar do jogo do Thiago ter sido montado em apenas um mês, alguns podem demorar anos para que fique perfeito e é normal olhar alguns jogos que são vendidos nas lojas que tenham ainda algum erro nas regras.

Com um bloco na mão, o jovem desenvolvedor começou a anotar as críticas das “cobaias” e ele mesmo viu que algumas partes continha alguns “errinhos que precisavam ser corrigidos”.  Os olhos atentos do desenvolvedor para cada lance era importante. Não podia ficar distraído.

Os diálogos mais constantes eram:

-Essa parte do jogo precisa ser ajeitada, pois haverá problemas durante o desenvolvimento.

– Acredito que o limite para você jogar é quatro e não seis pessoas.

– Ele precisa ter um pouco mais de velocidade, senão a gente vai perder bastante tempo!

O Thiago ouvia pacientemente algumas sugestões e prometeu que na próxima vez que tiver um encontro vai fazer com algumas alterações.  Para ficar perfeito, não se sabe ainda quando o jovem terminará, mas ele está determinado em produzir e divulgar o trabalho.

“Alguns jogos famosos no mercado demoraram três anos para ficar pronto. Muitas pessoas jogam os protótipos várias vezes para que fique perfeito”, comentou Tendson.


Sobre Lara Paiva
Oi, eu sou o Goku. Mentira, meu nome é Lara. Sou jornalista formada pela UFRN, natural de Natal. Sempre fui de humanas. Tem um blog para expor as suas curiosidades e anseios desta vida e mostrar os diferentes lados da vida urbana.

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