20 anos nas costas e um pouco de dúvidas

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Estou com 23 anos e um mês de vida. Meus últimos dois anos foram os momentos em que mais amadureci. Minhas opiniões ficaram mais fortes. Nesse período parei de lamentar o afastamento de amigos por diversos fatores, desde horários diferentes e até por mudanças de ideias. Comecei a sacar quem eram os verdadeiros amigos. Percebi que aquele amigo que dava o braço todo por ele pode partir o seu coração e você se pergunta como essa pessoa que amou tanto pôde lhe fazer tanto mal. Foi neste momento que apareceram os filhos e maridos dos meus amigos. Tive um susto quando um dos meus melhores amigos se casou.

Daqui uns 15 dias completo nove meses que recebi o diploma de jornalista pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), fico feliz em avançar alguns passos na vida e apesar de ter conseguido avançar algo que desejo desde a minha adolescência, ainda fico na dúvida com algumas coisas. Também vejo que este problema não é só comigo, mas com pessoas que fazem parte do meu círculo de convivência.

É neste período em que começa a se dá conta de que o passado se distancia mais e que não há outra opção a não ser continuar avançando. Você se preocupa com o futuro, empréstimos, dinheiro… E como construir uma vida para você.

Aprendi que é importante planejar a vida, mas não segui-la de forma exigente. Meus amigos me consideravam maluca por fazer estas coisas e eu discordava. Agora, eu concordo com o que eles diziam e os mesmos passaram a achar que estava certa de planejar. Hoje concluo que não dá para ser extremista, é importante planejar, mas sempre tenha os planos B, C, D….E procurar coisas que realmente lhe darão prazer e fazer com que fique com a consciência tranquila.

A gente acha que a faculdade vai durar para sempre, a vida é uma festa maluca que podemos beber enlouquecidamente e que vamos conseguir dominar o mundo de forma fácil e simples. Corremos atrás de coisas erradas neste período e quando percebemos, caímos em um buraco maluco.

A adolescência é exigida para seguir estas seguintes regras: Termine o Ensino Médio, escolha a sua profissão para o curso da faculdade, se forme, arrume um emprego, se casa e tenha filhos. Muitas vezes essas regras não encaixam nos padrões de muitas pessoas e isso pode gerar conflitos no início da fase adulta, pois os dramas da vida não terminam só na adolescência.

Quando era adolescente tinha uma ideia que era assim: ser jornalista, trabalhar em um jornal fuderoso da cidade, ter experiência e trabalhar em um jornal de uma cidade grande do Brasil. Como vocês podem notar, essas coisas não aconteceram na minha vida e fui forçada a mudar meus planos ou criar os meus próprios. Isso não quer dizer que estou frustrada ou algo do tipo, pois acho que as coisas até melhoraram para mim e mudei como pessoa.

Agora quero focar mais na minha vida de Webjornalismo e o marketing digital, visto que foi algo que sempre me puxou na época dos estágios e da faculdade e estudar mais sobre o assunto com o objetivo de me tornar. Detalhe, quando entrei na faculdade queria ser fotojornalista ou diagramadora.

Entretanto, tem gente que está num período de frustração, triste e até depressivo. Vejo amigos que lutaram muito para conseguir terminar uma faculdade e quando terminou viu que as coisas não eram assim o que estavam planejando. E, agora, o que fazer?

Não vejo problema em começar uma segunda graduação, procurar um emprego não ligado à área estudada ou continuar estudando na pós-graduação. Às vezes, correr atrás do dinheiro não é sinônimo de felicidade, posso citar vários exemplos de amigos que fizeram determinado curso por dinheiro e transformou a ida a faculdade como se fosse um fardo.

O problema é fazer com que a juventude se prepare com a frustração. Lembro de um texto da Eliane Brum falando de que muitos dos jovens de hoje como foram criados (principalmente daqueles vindos de classe média alta) com os acessos ao colégio, cursos de idiomas e dentre outras coisas melhores. Tudo foi feito de forma fácil, simples e sempre eram ouvidos que teriam um futuro brilhante pela frente. Mas não é bem assim que a banda toca.

A gente vai ter que lutar pelas coisas que a gente quer almejar e não adianta culpar Deus e o Mundo para isso. Nem sempre o que você escutou será a forma certa. Quando a gente se depara com a realidade, começa a se questionar e procura coisas até erradas. Isso não vale a pena.

Recentemente, eu conversei com um amigo meu do tempo de escola. Ele sempre dizia que queria viajar pelo mundo, fazer cinema, ser escritor e mostrar os diversos talentos que tinha. Achava super engraçado o jeito dele ser bem sonhador e tinha a vontade real de mudar o mundo.  Entrou numa faculdade que era parecido com as coisas que pensava, mas durante o decorrer do curso não era aquilo que pensava. Se formou, mas acabou o estágio e precisava de grana. Como faz?

Então, a gente começou a conversar sobre a prova de reocupação de vagas, visto que recentemente fiz para ingressar para Radialismo (não largo a Comunicação Social). Ele também deseja ingressar para fazer uma outra graduação e tentar uma outra vida.

Ainda é possível encontrar algo desejado depois dos 20 anos. Não é porque você é adulto que tem que seguir as coisas conforme o manual. As coisas mudam, a vida muda durante os nossos planejamentos. Recentemente, um outro amigo meu que largou Engenharia Química para fazer Jornalismo e depois de formado voltou para Engenharia e disse que estava bem melhor assim. Outro largou o último período de Engenharia da Computação para fazer Direito.

Então, faça o que gosta, mas sempre conte com a possibilidade de mudar e de ser feliz.


Sobre Lara Paiva

Oi, eu sou o Goku. Mentira, meu nome é Lara. Sou jornalista formada pela UFRN, natural de Natal. Sempre fui de humanas. Tem um blog para expor as suas curiosidades e anseios desta vida e mostrar os diferentes lados da vida urbana.

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