Não tenho pressa em emagrecer!

Compartilhe:

O ano de 2015 foi de repleta mudança, principalmente na parte interna, quando realmente me assumi como eu sou. Recentemente, eu li um texto no Apartamento 702 (dedico este texto ao Fábio Farias, vulgo FF) sobre a jornalista Cecília Oliveira (também dedico o texto a ela) ter sido destratada por um médico pelo motivo de estar acima do peso. O desabafo dela pode ser lido a seguir:

Me identifiquei muito com o texto de Cecília, pois em janeiro tive um caso similar e que não me senti bem tratada, mas não vou adentrar ao caso. Tenho quase 1,60 metros e peso 68 quilos. Obviamente se calcular o IMC (Índice de Massa Corporal) mostra que estou sobrepeso, minhas calças são 38 e uso camisetas entre M e G. Saí da consulta indignada pela falta de delicadeza e revoltada, depois fiz os exames solicitados e vi que minhas taxas estavam normais. Logo, eu estou saudável.

Sempre passei pelo efeito sanfona. Engorda e emagrece. Sempre tive tendência para engordar. Dietas malucas e fazer exercícios loucos. Aguentei todos os tipos de comentários com meu corpo. Isto me maltratava e me sentia a pior pessoa do mundo.

Fui um bebê gordinho e até os meus seis anos era uma criança magrinha. Dos oito aos nove anos comecei a engordar e minha mãe começou a controlar a minha alimentação. Emagreci.  Com 12 anos me senti bastante gorda, a minha solução foi fazer a minha própria dieta, então deixei de tomar café da manhã e reduzi a quantidade de comida que colocava no prato do almoço e jantar.

Em três meses reduzi cinco quilos, chegando aos 45 kg após ter quase desmaiado na escola. Depois, eu comecei a ter uma alimentação mais saudável.  Apesar de ter tido um corpo totalmente seco, eu ainda não estava satisfeita, pois os rapazes que namorei ou aqueles que havia um “crush” queriam meninas com mais seios e bundas. Uns queriam que eu engordasse para que tivesse seios maiores e chegava a me comparar com outras garotas. Em suma, eu era movida pela opinião alheia.

Anos depois, o Ensino Médio chegou e o terceiro ano foi um período infernal, visto que as cobranças de adentrar numa universidade federal para “se livrar de uma mensalidade cara” me fizeram entrar em uma ansiedade absurda e comia feito uma condenada. Resultado? Engordei 10 quilos, chegando a 58 quilos. Durante a faculdade, eu passei por sérios problemas pessoais e isto me fez engordar mais. Assim, eu cheguei ao meu peso atual.

Durante este período, eu ouvi várias vezes que eu precisava emagrecer, ficaria bonita mais magra e dentre outras coisas. Isto me deixava me sentindo um monstro e ousei em fazer novas dietas, que me fizeram engordar e emagrecer novamente.

Por que cheguei a este ponto? Sou horrível? Alguém me ama? Cheguei a chegar pesquisar sobre remédios e alimentos para emagrecer, mas não tive coragem.  Além de fazer terapia, eu comecei a ler e ouvir pessoas que passaram por um mesmo problema e descobri que não estava só.

Foi neste momento que despertei o desejo de me amar e começar a parar de ouvir as pessoas sobre o peso e outras coisas em relação à aparência (coisas que poderei falar em outra postagem). Se sentir bem consigo mesma é algo muito difícil, uma lição diária.

Muitas mulheres são como Cecília, que estão acima do peso, e  sempre têm de ouvir essas seguintes perguntas:

  1. Você não quer emagrecer?
  2. Suas taxas estão boas?
  3. Seu rosto é tão bonito, por que não emagrece?

As consideradas magras também são obrigadas a escutar:

  1. Por que você não engorda?
  2. Come mais, pois você está mais magra!
  3. Homem gosta é de mulher com carne!
  4. Suas taxas estão boas?
  5. Tem anorexia?

Nenhuma pessoa está imune àquele “intrometido” para determinar o corpo ideal. Principalmente, quando se é adolescente e possui acesso aos diferentes blogs de pessoas “entendedoras do mundo fitness“. Muitos possuem acesso àquelas dietas de trocar componentes alimentícios por outros duvidosos e são bombardeados por diversas comidas nutritivas e secretamente recebem patrocínio de empresas do ramo da ginástica.

Tinha uma blogueira que adorava quando adolescente, pois ela produzia diversos layouts “bonitos” para blogs e distribuía gratuitamente. Mais de 10 anos depois, eu descobri que esta mesma pessoa se transformou numa espécie de “guru fitness”.  Ela tinha emagrecido mais de 20 quilos, fornecia diversas postagens de dieta e exercícios físicos.  Além disso, a jovem possui milhares de seguidoras e muitas estão aderindo às suas façanhas.

Depois de debruçar em milhares de postagens, uma das coisas que mais me surpreendeu foi dela fazer um bolo onde troca a farinha de trigo com whey protein. Foi então que achei o lado irresponsável destes blogs relacionados à saúde e emagrecimento: utilizar sua própria experiência para influenciar outras meninas. Isto é perigoso por diversos fatores.

  1. Cada pessoa tem seu próprio ritmo
  2. Não sabemos como funciona o corpo de cada um
  3. Nem sempre uma pessoa gorda é uma pessoa não saudável.

Meninas e meninos, inicialmente antes de adentrar em qualquer mudança corporal, você precisa se amar primeiramente, pois as pessoas vão continuar lhe criticando. Se você quer emagrecer, procure uma pessoa ideal para te ajudar nesta longa jornada e lhe entenda (Não precisa ser rico para ser saudável. Algumas associações fornecem atividades físicas por um preço acessível).  Se quer mudar o corpo, precisa se amar primeiro e não deixe ninguém estragar a sua felicidade e saúde por conta disso.

Termino com a frase que Cecília terminou a sua postagem: “Saio triste por uma pessoa como esta ter cruzado meu caminho, mas feliz por não ter revidado na mesma moeda”.


Sobre Lara Paiva
Oi, eu sou o Goku. Mentira, meu nome é Lara. Sou jornalista formada pela UFRN, natural de Natal. Sempre fui de humanas. Tem um blog para expor as suas curiosidades e anseios desta vida e mostrar os diferentes lados da vida urbana.

Comentários no Facebook

Seja o primeiro a comentar

Deixe uma resposta

Breche Também

error: Content is protected !!