O que encontramos numa convenção de tatuagem?

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Tribal, Caligrafia, Desenho Old School ou Aquarelada, não importa o estilo, as pessoas querem que a arte da tatuagem esteja estampada no corpo. O lugar ideal para se inspirar ou bater a coragem para fazer é visitando uma exposição do assunto. Neste fim de semana, aconteceu a Natal Tattoo Expo, no bairro de Ponta Negra, em que anualmente reúne artistas renomados de vários países (ex: Colômbia e Portugal), venda de materiais, shows, sorteios de tatuagens e piercings e dentre outras coisas.

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Exposição de tatuadores aconteceu neste fim de semana em Natal (Fotos: Lara Paiva)

Mas qual o objetivo das pessoas em visitarem? O meu, por exemplo, foi entrevistar os tatuados, tatuadores e interessados nesta arte. Confesso que deu vontade de fazer a minha segunda tatuagem.

Mas, o Brechando foi atrás dos personagens para compor esta matéria e logo de cara encontrei a Dani, que possui tatuagem desde os 17 anos. Os braços, costas e a região do colo eram bastante coloridas, com desenhos belíssimos e com quase 50 anos mostra que é uma mulher cheia de atitude e para frente.

Ela saiu do trabalho e foi direto para a exposição de tatuagem, onde conversou com velhos amigos e apreciou os trabalhos dos novos tatuadores.  “Ainda pretendo fazer mais tatuagens”, disse. Dani critica as pessoas que observam a arte como algo que está na moda.

“As pessoas hoje em dia, infelizmente, ainda trata a tatuagem como modismo e não é. É uma arte e, ao mesmo tempo, amor à pele.  Ainda tem aquele preconceito, mas isso a gente quebra”.

Por enquanto, Dani é a única da família que tem tatuagem, visto que o filho de 20 anos prefere usar apenas alargador em uma de suas orelhas. Ao ser questionada se as pessoas ainda olham torto para ela, Dani prontamente respondeu: “Eu digo que eles me olham de cima para baixo com o objetivo de me analisar melhor (risos). Mas depois as próprias acabam gostando.”.

Já o Henrique Eiras veio de Recife para fazer uma enorme tatuagem no braço esquerdo. “Demorei uma sete horas. O início do processo foi fácil, mas o tempo foi passando e comecei a sentir um formigamento. Esta foi a primeira convenção em que fui fazer uma tatuagem e não tive medo de fazer em lugar fora de um estúdio”, comentou o jovem acompanhado de sua esposa também tatuada.

O tatuador Dode trabalha há 11 anos e veio de Salvador para participar do Natal Expo Tattoo. Na primeira vez em que participou, ele julgou as tatuagens elaboradas pelos artistas e agora está competindo. “Já é a quarta vez que em Natal. Acho que competir é mais legal”, disse.  Ele contou que o público de Salvador e de Natal possui gostos parecidos por tatuagem.

“Não tem algum desenho que os natalenses gostam mais do que os soteropolitanos, eles vêm me procurar por conta da tatuagem ser uma arte. A galera realmente gosta de tatuagem”, afirmou.

Em Natal, ele tatuou o Antonio Nardeles, cujo irmão é amigo do baiano, e durante quase 10 horas foi feita uma tatuagem de gueixa na coxa esquerda. A intenção era competir na premiação.

“Já faz uns três anos que comecei a tatuar, isto é viciante. Dode me propôs fazer este trabalho e eu topei. Já faz cinco horas que está sendo feita, só saio para ir ao banheiro e está um pouco sofrida. A dor está suportável, mas tem horas que é chato para c*. Eu tenho três tatuagens, uma outra na perna e outra na costela. Eu admito que a da costela doeu mais a que estou fazendo agora”, explicou Nardeles.

Dode, entretanto, afirmou que já fez um outro desenho de gueixa maior que esse. “Esta foi a maior tatuagem que fiz em toda a minha carreira. Também era na perna e rica em detalhes”, admitiu.

Dode veio da Bahia para participar do evento. Ele resolveu tatuar uma gueixa na perna de Nardeles, que é irmão de um amigo
Dode veio da Bahia para participar do evento. Ele resolveu tatuar uma gueixa na perna de Nardeles, que é irmão de um amigo

A parte mais esperada eram as premiações, no qual os tatuadores expõe as suas artes feitas durante a convenção. Havia um corpo de jurado que iria decidir qual a melhor oriental, old school, série desenho, cultura brasileira, pequena (preto e branco e colorido), grande (preto e branco e colorido), realismo, retrato, neo tradicional, ornamental, costas, caligrafia e new school. Além disso, os organizadores escolhiam a melhor feita em cada dia e a de todo o evento.

A dupla que entrevistamos, Dode e Nardeles, por sinal, ficaram em primeiro lugar na categoria de Oriental com a gueixa na perna.

Felipe Antunes sonha em fazer uma tatuagem, apesar dos parentes evangélicos
Felipe Antunes sonha em fazer uma tatuagem, apesar dos parentes evangélicos

Felipe Antunes só tem um piercing no lábio e queria conhecer o trabalho dos artistas que participaram do evento, mas isso não quer dizer que não tenha vontade de colocar algo na sua pele, apesar dos parentes de origem evangélica.

“Estou só andando para saber do evento e está maneiro. Quero criar coragem para fazer uma e estou juntando uma grana para fazer várias de uma vez só. Gosto bastante de caveira e quero fechar um dos meus braços com várias delas”, sonha o rapaz.

O grande vencedor foi o tatuador Victor Skaz, que tatuou O Natal Tattoo Expo terminou na noite desta domingo (3), fornecendo prêmios aos participantes e divulgando a arte da tatuagem pelo evento. De acordo com a organização, no ano que vem haverá mais uma edição e está marcada para o mês de fevereiro.

Confira as fotos a seguir (clica em uma das imagens para ampliar):

Origem da tatuagem no Brasil

No Brasil a tatuagem elétrica é uma arte muito recente, surgiu em meados dos anos 60 na cidade portuária de Santos e foi introduzida pelo dinamarquês Knud Harld Lucky Gregersen (também conhecido como Lucky Tattoo), que teve sua loja nas proximidades do cais, onde na época era a zona de boemia e prostituição da cidade de Santos. Isto contribuiu bastante para a disseminação de preconceitos e discriminação da atividade.

Lucky nasceu na cidade de Copenhague em 14 de maio de 1928, filho de Jens e Ema Gregersen. Seu pai era tatuador conhecido nas décadas de 1930 e 1940 na Dinamarca. Chegou ao porto de Santo no dia 20 de julho de 1959, apresentando-se como desenhista e pintor. O Arquivo Nacional ainda conserva sua ficha de registro de número 78655 na Delegacia Especializada de Estrangeiros.

Estabeleceu-se à região portuária da rua João Otávio, onde seus clientes marinheiros se concentravam, mas depois mudou-se para rua General Câmara, local no qual montou seu estúdio com os dizeres “It’s not a saylor if he hasn’t a tattoo.” (“Não é um marinheiro se não tiver uma tatuagem”).

Casou-se com uma brasileira, tiveram um casal de filhos, depois mudou-se para Arraial do Cabo no Rio de Janeiro. Um ano depois faleceu, em 17 de dezembro de 1983, no auge de sua carreira, com 55 anos, vítima de ataque cardíaco.


Sobre Lara Paiva
Oi, eu sou o Goku. Mentira, meu nome é Lara. Sou jornalista formada pela UFRN, natural de Natal. Sempre fui de humanas. Tem um blog para expor as suas curiosidades e anseios desta vida e mostrar os diferentes lados da vida urbana.

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