Sim, vamos falar de abuso sexual

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O texto não é exatamente sobre Natal-RN, mas atinge as mulheres. Não queria falar disso. Estava farta. Mas, o acontecimento recente que aconteceu no programa Big Brother Brasil me fez refletir, ter raiva (de alguns comentários sem noção) e desabafar sobre o assunto.

Se o cara é pedófilo/tarado ou algo do gênero, eu realmente não sei. Mas uma pessoa que tem o Facebook que curte páginas relacionadas à Teen Porn, postar fotos andando só com adolescentes (tem fotos dele numa festa com pessoas da idade da minha irmã para baixo), comentários xenofóbicos e dentre outras coisas absurdas vamos ter que refletir que tipo de doido é esse. Sem contar que ficava compartilhando gif porn. (Sim, eu analisei o perfil do cara na rede social)

Se ela ficou incomodada com as coisas que ele estava fazendo na casa, o espectador precisa refletir. Já a diretoria, se fosse direita, deveria conversar com os dois em um canto privado. Ela vai sair, porque brasileiro não gosta de “mulher escandalosa”. Quando a pessoa se sente incomodada com um homem que te olha de um jeito bem estranho, não pode ser fofinha ou gentil (eu pelo menos não conseguiria).

Muitos pensam que um abusador é apenas um taradão muito louco no meio da rua. Não é. Em um país quando uma simples atividade de redação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) fala sobre a violência contra a mulher e no meio do texto algumas candidatas usam este espaço como confessionário para falar de agressões e abusos. Sim, temos que discutir este assunto.  O abusador pode ser seu namorado, padrasto, pai, tio, padrinho, vizinho, professor, irmão, primo, melhor amigo de seus pais…É corriqueiro.

Não precisa ser bonita para levar abuso sexual. Muitas que sofreram este abuso, já ouviram frases antes do ato: “Estou fazendo uma caridade, já que ninguém vai te pegar mesmo”.

Um belo dia no Facebook, um homem me adicionou nas redes sociais e começou a conversar comigo. Sim, ele estava “flertando” (olhe bem essas aspas) comigo (mais falta de respeito, porque eu namoro e o mesmo era casado), com conotações até mesmo chulas (abuso pode ser até mesmo com palavras, fica a dica) e as mensagens me deixavam bastante incomodada.

Então, eu dei uma resposta para este rapaz e me chamou de grossa, escandalosa e que “não procurasse mais ele”. Assim, ele me bloqueou em todas as redes sociais (graças a Deus) e o histórico das minhas redes sociais está gravado com isso, apesar do ocorrido ter acontecido há quatro anos.

Depois, eu descobri, a partir de outros relatos, que eu não era a única garota que foi “vítima” deste maluco. Com algumas garotas, por exemplo, chegava a elogiar os seios e recitar contos eróticos. Teve uma que fez um print screen a conversa e colocou no Twitter e lhe mencionou.

O abuso pode ser pelas “mãos bobas”, xavecos, beijos forçados (oi, Carnatal e qualquer outro show), transas ou algo que a mulher não permitiu autorização para que isto fosse feito.  O foco deste texto mais é sobre abuso sexual no geral e esclarecer mais sobre o assunto.  Como diz o relatório do ano passado sobre o Mapa da Violência Contra Mulher:

“A violência contra a mulher não é um fato novo. Pelo contrário, é tão antigo quanto a humanidade. O que é novo, e muito recente, é a preocupação com a superação dessa violência como condição necessária para a construção de nossa humanidade. E mais novo ainda é a judicialização do problema, entendendo a judicialização como a criminalização da violência contra as mulheres, não só pela letra das normas ou leis, mas também, e fundamentalmente, pela consolidação de estruturas específicas, mediante as quais o aparelho policial e/ou jurídico pode ser mobilizado para proteger as vítimas e/ou punir os agressores”.

Falando sobre este mesmo relatório,  o Rio Grande do Norte, há dois anos, registrou 89 homicídios contra mulheres, 25 a mais que em 2012.  Dessas mortes, 29 aconteceram apenas em Natal e quatro em Nísia Floresta. Ou seja, a cada 100 mil habitantes, cinco mulheres são mortas. Foi o segundo estado que mais teve crescimento no número de feminicídio (homicídios de mulheres).

O Sistema Único de Saúde (SUS) registrou no Rio Grande do Norte, o atendimento de 1266 mulheres vítimas de violência sexual e doméstica nos hospitais públicos.  No Brasil, ao todo, são mais de 23 mil mulheres que foram violentadas sexualmente, sendo que 7920 foram apenas crianças e 9256 adolescentes.  Isto equivale a 53,3% da população.

O SUS ainda registrou que mais de 52 mil brasileiras que foram atendidas por violência sexual foram vítimas várias vezes deste tipo de abuso, sendo que mais da metade eram pessoas acima de 18 anos.

Mas, a pedofilia é para menor de 14 anos. Beleza, você sabia que transar com uma garota (com apoio dela ou não) entre 14 a 18 anos é estupro de vulnerável? Sim, adultos e idosos podem ser violentados sexualmente, independente se teve vida sexual ativa ou não. Sabia que 2,4% das idosas foram violentadas sexualmente em 2013?

Aonde são a maioria desses casos? 91.598 são nas residências, 2076 na escola, 2546 nos bares, 20.926 nas ruas e 2173 através das redes sociais (fator que achei bastante preocupante).

 atendimentos

Veja esta tabela com os maiores casos de violência contra mulher:

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Agora, que nós vimos todos esses dados, você ainda acha que é frescura?


Sobre Lara Paiva
Oi, eu sou o Goku. Mentira, meu nome é Lara. Sou jornalista formada pela UFRN, natural de Natal. Sempre fui de humanas. Tem um blog para expor as suas curiosidades e anseios desta vida e mostrar os diferentes lados da vida urbana.

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