De cada 10 meninas que entrevistei, 8 assumiram relacionamento abusivo

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– Nossa, tira essa roupa, você está parecendo uma puta!

– Tire essa tinta do cabelo, está feia!

– Aquela minha amiga é muito mais bonita que você e ela possui um belo par de peitos. Você não! (Isto aconteceu comigo)

– Você tem um pensamento errado, deveria me ouvir mais, porque estou certo!

– Tire essa maquiagem.

– Quem é este Pedro no seu Facebook? É seu amante?

– Pare de falar palavrão, porque é feio mulher falar palavrão. (Perdi as contas de quantas vezes isto aconteceu comigo)

– Vá lavar uma louça e pare de encher o meu saco.

– Se você terminar comigo, eu vou me matar.

– Aí, ele está certo, vou pedir desculpa e a gente faz as pazes. (Isto também aconteceu comigo)

Esses diálogos que coloquei inicialmente não deveriam acontecer, mas é uma das falas mais comuns durante uma conversa entre namorados. Se você, garota/garoto, já ouviu isso do seu (ua) namorado (a), fuja. Por que estou dizendo isso? Miga, você está num relacionamento abusivo e isto é um problema muito mais comum que se imagina.

As consequências disso são as piores possíveis, uma vez que acaba com a autoestima de um dos parceiros, acaba com amizades, estimula o surgimento da depressão ou outras doenças mentais (também precisaremos discutir isso em outros posts do Brechando), relacionamentos infelizes e chegando mesmo as primeiras agressões físicas, entrando naquelas chatas estáticas da Lei Maria da Penha.

Como falei naquele texto sobra “Violência Contra a Mulher“, um dado da Secretaria Nacional de Políticas Contra Mulheres aponta que as pessoas do gênero feminino (independente se for cis ou trans) sofrem mais com a violência física (51,68%) e em seguida vem a psicológica (31,81%), moral (9,68%), e sexual (2,86%).  A origem deste relacionamento pode ser de um namoro de longa data e até mesmo naquele cara que você transa de vez em quando nas baladas da vida.

Eu fui procurar conhecidas, amigas e feministas para discutir sobre o relacionamento abusivo e questionar se algumas delas já sofreram ou presenciaram algo parecido. Os resultados são surpreendentes, uma vez que de cada 10 mulheres que entrevistei, oito assumiram que já sofreram deste mal.  Este dado comprova o resultado da Secretaria Nacional de Políticas das Mulheres que 70% das vítimas já sofreram algum tipo de violência ou denunciaram.

Pedi para relatar, obviamente de forma anônima, sobre o que aconteceu. Alguns cheguei até chorar, com pena daquela garota que aguentou aquele tipo de companhia, principalmente pelo fato disso acontecer logo no primeiro namoro, período que deveria ser de encantamento e de felicidade. Outros me identifiquei, pois assumo que já tive um relacionamento abusivo que só descobri isso anos depois do término.

Veja alguns dos depoimentos que coletei. Vou colocar apenas um, pois a maioria tem um discurso bastante similar:

“No início parecia que estava bem. Depois, ele começou a exigir que estivesse disponível o tempo todo. Comecei a namorar muito jovem com este rapaz, com quem tive minha primeira relação sexual, que na verdade eu cedi, pois sabia como escapar. Quando comecei a ficar mais velha, me incomodava algumas destas atitudes, até chegar numa situação insustentável. Terminei, mas reatamos por conta de uma cirurgia que ele fez e assim que ele não precisou mais de alguém para cozinhar, dar remédio, separar as roupas e dentre outras coisas, ele terminou o namoro. Só a partir daí que passei a refletir como me tratava nesses três anos e foi muito doloroso perceber o quão cruel é uma pessoa. Demorou cerca de cinco anos para voltar a relacionar”. 

Estava lanchando e presenciei um casal hétero numa mesa perto da minha e ele fazendo brincadeiras jocosas sobre o decote que a sua companheira estava usando.

Recentemente, eu ouvi relatos de mulheres que estão preocupadas com algumas de suas amigas que estão neste tipo de relacionamento, porém elas não entendem que são violentadas diariamente e acham que “é só um jeitinho brusco dele”.  Ainda estas mulheres me contaram que essas amigas ainda dizem: “A gente conversou e ele prometeu para mim que iria mudar”. Pobre, ilusão.

O pior do relacionamento abusivo é porque esta é uma porta de entrada para outros tipos de violência, inclusive a sexual, onde muitas meninas são estupradas pelos próprios companheiros sem saber que isto pode ser um abuso sexual.

Para finalizar este texto, deixo este vídeo da vlogueira Jout Jout:

 


Sobre Lara Paiva
Oi, eu sou o Goku. Mentira, meu nome é Lara. Sou jornalista formada pela UFRN, natural de Natal. Sempre fui de humanas. Tem um blog para expor as suas curiosidades e anseios desta vida e mostrar os diferentes lados da vida urbana.

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