Eles contam porque estão participando do Fora Cunha

(Foto: Lara Paiva)
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A tarde desta sexta-feira (13) foi marcada por um protesto pedindo a saída do deputado federal Eduardo Cunha (PMDB-RJ) na presidência da Câmara dos Deputados. O protesto foi organizado por estudantes, entidades estudantis e grupos políticos. Aconteceu em várias cidades brasileiras simultaneamente. Em Natal, por exemplo, o grupo se reuniu na parada do Circular, no conjunto Mirassol, que fica próximo ao shopping Via Direta.

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Rapaz fantasiado de Eduardo Cunha tentando pegando os dólares (Foto: Lara Paiva)

“Esta causa é completamente justa, pois ele é contra os direitos humanos e tem provas que o deputado está envolvido em corrupção. Sem contar que está dificultando a escolha das vítimas de estupro com os projetos que foram aprovados recentemente na Câmara, como a proibição do aborto (que é permitido em lei), atendimento médico das mesmas e da comercialização pílula do dia seguinte. Cunha não está cumprindo o seu papel de político, assim como muita gente”, disse Bruna Suassuna,  com cartaz em mãos.

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Evangélico convicto, Eduardo Cunha causou polêmica na Câmara ao realizar cultos e aprovar leis que não condizem com o estado laico. “Ele mistura a política com a religião e isto não concordo em fazer. Sem contar que assisti na TV Câmara a forma que ele conduziu a votação da redução da maioridade penal, praticamente, na minha opinião, foi um golpe, pois colocou uma outra pauta antes do arquivo original ser votado. Está se sentindo o rei do Brasil”, afirmou Omar Ramos.

O protesto foi marcado para 15 horas, porém a movimentação enferveceu meia-hora depois, com a chegada de entidades estudantis. Reunidos, eles começaram a elaborar cartazes, pintar faixas e conversar sobre o que fazer neste protesto.

Quando teve aproximadamente umas 400 pessoas, os estudantes começaram a cantar paródias com mensagens criticando a gestão de Cunha e alguns com latas e tambores começaram a fazer uma batucada. Foi o ponto de partida do Fora Cunha em Natal. A imprensa dos grandes jornais e alternativa, como o Brechando também estava presente, observando atentamente o que poderia acontecer. A Polícia Militar, com os carros do 5º Batalhão e da Ronda Ostensiva Com Apoio de Motocicletas (ROCAM) olhava cada passo dos manifestantes, apesar de não ter havido um confronto.

(Foto: Lara Paiva)
Protesto aconteceu no final da tarde desta sexta-feira (Foto: Lara Paiva)

Alguns carros começaram a passar sobre o protesto, alguns soltavam um sorrisinho canto de boca e outros, com seus carrões, ficavam emputecidos. Outros até chegaram gritar: “Fora Dilma” e outros discursos xingando a presidente da República, mas os estudantes não deram muita importância para isso ou correu para agredir os rapazes que estavam andando próximo.

Com um rapaz fantasiado de Cunha pendurado com dólares estampados com a imagem do deputado carioca, o protesto acontecia. Os estudantes faziam diversas intervenções no cosplay do presidente da Câmara, incluindo uma grade simulando a cadeia.

“A gente coloca Cunha como um grande inimigo da juventude no Congresso Federal. Tem feito artimanhas dentro da Câmara para pautar as propostas em benefício próprio. A redução da maioridade penal, por exemplo, vai ser prejudicial principalmente daqueles jovens que vivem nas regiões periféricas. Além disso, a imprensa está noticiando bastante sobre as suas contas ilícitas na Suíça e os desvios de dinheiro e ninguém abre um processo”, justificou André Cavalcante, integrante do Levante Popular da Juventude.

A Allyne Macedo, integrante da Marcha Mundial das Mulheres, também esteve na luta, principalmente após a aprovação de projetos prejudiciais ao gênero feminino, como a proibição da venda da pílula do dia seguinte. Ela explica o motivo de sua participação: “Está colocando na Câmara diversos projetos que retrocedem à classe trabalhadora e das mulheres. Não vamos aceitar isso.”.

Integrantes de sindicatos e Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra (MST) também estiveram presentes no evento para criticar a aprovação da lei da terceirização, que consiste em autorizar empresas, privadas ou não, terceirizar serviços de atividade-fim, ou seja, a principal função. Ciclistas também estavam presentes no evento criticando esta lei.

“Está fazendo coisas desagradáveis, nós queremos que os deputados criem leis a favor dos trabalhadores e não o contrário”, desabafou a pescadora Celia Faria.

Sobre a redução da maioridade penal, o estudante de psicologia André Feliphe levou o seu cartaz criticando a medida. “Ele é um câncer no sistema legislativo brasileiro, várias pautas que ele colocou são retrógradas e contradizem a constituição, que está correndo perigo. Ao invés de lutar para avançar politicamente, estamos fazendo o inverso. É um gasto”.

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André Feliphe esteve no protesto criticando a redução da maioridade penal de 18 para 16 anos (Foto: Lara Paiva)

Quando já tinha em torno de 500 a 600 pessoas, o protesto começou fazer uma caminhada em torno da BR-101, próxima ao shopping Via Direta. Após uma hora e meia de caminhada e criticando as atitudes do Eduardo Cunha, eles dispersaram e foram em direção à praça em frente ao colégio Floriano Cavalcanti (Floca), onde foi realizado diversas atividades culturais.

Confira o álbum de fotos:

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Sobre Lara Paiva
Oi, eu sou o Goku. Mentira, meu nome é Lara. Sou jornalista formada pela UFRN, natural de Natal. Sempre fui de humanas. Tem um blog para expor as suas curiosidades e anseios desta vida e mostrar os diferentes lados da vida urbana.

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