Protesto contra o estupro reúne mulheres na Av. Rio Branco

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A Avenida Rio Branco nesta quinta-feira (27) foi tomada por mulheres que tinham um simples objetivo: criar medidas para reduzir a violência contra a mulher. Diferentes grupos se reuniram para criticar apologia da cultura do machismo, que ainda acontece em pleno século XXI. Elas caminharam do viaduto do Baldo até a Prefeitura, na Rua Ulisses Caldas, ambas localizadas no bairro de Cidade Alta. Também teve participação de crianças e de alguns homens.

Algumas participantes chegaram a admitir que os problemas do machismo são diários. “O fato de ser mulher e da forma como a gente é criada vem do machismo. Portanto, está na sua casa, trabalho, escola e rua. É diário”, afirmou a jovem Daniele Oliveira.

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Neste mês foi noticiado casos que aconteceram no bairro de San Vale, próximo ao Parque da Cidade, no qual um grupo abordou mulheres e as estupraram. Foram registrados três casos similares.  A Polícia prendeu dois irmãos menores de idade e um rapaz de 21 anos.

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“Isto foi o principal motivo para a gente se reunir hoje. O feminismo diz que quando o machismo acontece não atinge apenas uma mulher, mas com todas. Este caso de estupro não foi comigo, com amigo ou algum familiar, mas com mulheres e tomamos as dores. Infelizmente, nós vivemos no mundo que a gente não é dona do nosso corpo e não vamos admitir alguma violência”, comentou Daniele.

Elas cobraram a falta de preparo das delegacias em atender uma mulher, investimento de 1% do Produto Interno Bruto (PIB) para políticas públicas às mulheres e fim do machismo. “Nós estamos construindo o dia de hoje, pois vimos que a nossa cidade possui níveis elevados de violência contra mulher”, comentou Ana Luz Lima, uma das organizadoras deste manifesto.

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De acordo com Ana Luz, “foi necessário que tivesse esses casos que aconteceram na cidade para que as mulheres pudessem se reunir em uma manifestação”.

“A gente não quer que só prenda os estupradores, mas também desenvolva políticas públicas para garantir a vida da mulher. Queremos creche, igualdade de gênero, delegacias que funcionem 24 horas e que tenha profissionais para atender”,  disse a jovem.

Existe apenas quatro unidades no Rio Grande do Norte, duas em Natal, uma Mossoró e uma em Caicó. Tanto o Município quanto o Estado possui Secretarias de Políticas Públicas para Mulheres.  O RN é o quinto estado mais violento em relação às mulheres.

Maíra Albuquerque conta que sofre problemas de violência todos os dias. “Quando vou à escola, fico com muita raiva, pois eu passo e os homens te olham como se fosse um pedaço de carne ou solta um assobio na minha frente. Isso me irrita muito”, comentou.

Durante a manifestação, alguns carros chegaram a buzinar como forma de apoiar as garotas, mas também tiveram alguns comentários machistas. “VAI LAVAR UMA LOUÇA”,  gritou um dos motoqueiros que circulavam pela Av. Rio Branco.  Entretanto, isto não as desanimaram.

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Já Mariana Ceci ficava na parte da frente da manifestação e sempre divulgando mensagens didáticas sobre o porquê delas realizarem esta caminhada.

“A gente sofre discriminação em todos os espaços. A fala de uma mulher muitas vezes não tem o peso de um homem. Quando comecei a conhecer o feminismo, eu percebi que ficava incomodada com coisas consideradas normais. Quando conheci outras pessoas que também se incomodavam com esses problemas, a gente percebe que este tipo de comportamento está errado”, declarou.

Durante todo o percurso foi entregue panfletos, adesivos e fitas para mostrar a importância de lutar contra o machismo. As meninas disseram que a luta vai continuar e novas manifestações irão acontecer.

 


Sobre Lara Paiva

Oi, eu sou o Goku. Mentira, meu nome é Lara. Sou jornalista formada pela UFRN, natural de Natal. Sempre fui de humanas. Tem um blog para expor as suas curiosidades e anseios desta vida e mostrar os diferentes lados da vida urbana.

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